Um punhado de cristãos perseguidos, que viram a sua igreja destruída, em 1938, pelos bolchevistas e o pároco morto, exulta agora de alegria com o crisma de seus filhos com 80 anos.
Um punhado de cristãos perseguidos, que viram a sua igreja destruída, em 1938, pelos bolchevistas e o pároco morto, exulta agora de alegria com o crisma de seus filhos com 80 anos. O núncio apostólico do Cáucaso, Cláudio Gugerotti, tendo-se deslocado a Baku, na ex-república soviética do azerbeijão, para administrar o sacramento do crisma, a 18 de Maio, ficou estupefacto. Encontrou-se diante de muitas pessoas idosas, na casa dos 80, de rosto rugoso e de coração simples, que se mostravam emocionadas mais do que as crianças a seu lado. “Há 70 anos que esperávamos este momento”, explicaram felizes e comovidas.
alguns deles ainda se recordavam do grande templo neo-gótico, dedicado à Imaculada Conceição, que fora construído nos primeiros anos do século XX, destruído pelos bolchevistas em 1938.
O pároco foi morto, os fiéis perseguidos e forçados à clandestinidade. Durante muitos anos os católicos não tiveram um lugar para se reunirem e rezar. Nem sequer um sacerdote. Só em 1997, chegou um jovem padre polaco, um dos muitos pioneiros do Oriente pós-comunista. Hoje a Igreja renasceu e a pequena comunidade católica do azerbeijão contempla e admira a presença de jovens recém-convertidos e de idosos que voltam a usar o seu nome de baptismo.
a prestar homenagem à fé destes resistentes chegou um dia João Paulo II a este perdido canto do mundo. Estávamos em Maio de 2002. Exactamente há três anos, Papa Wojtila quis abraçar “o pequeno rebanho” de Baku. “Hoje, a praça de São Pedro alarga-se até vos abraçar ” disse o Papa “. Vim aqui para vos testemunhar que estais no meu coração e que nunca vos esqueci”.
Muitos admiraram-se que o Santo Padre se deslocasse ao azerbeijão para visitar uma Igreja local que, naquele tempo, contava pouco mais de uma centena de fiéis. No entanto aquela viagem representou um dos pontos altos da incansável actividade missionária do Papa Wojtila. é que ele não visitou apenas os lugares de grandes massas, no meio de milhões de fiéis, como Brasil, Filipinas, ou Estados Unidos. acorreu também lá, onde os católicos são algumas dezenas, para anunciar que nenhum lugar, nenhum homem pode sentir-se estranho à graça divina.
O “pequeno rebanho” do Cáucaso tornou-se agora mais numeroso e alegra-nos ver no milagre de Pentecostes, que se manifestou, de modo surpreendente, nos rostos felizes dos neo-crismados com 80 primaveras às costas um sinal poderoso da fecundidade espiritual de Karol Wojtila. é significativo recordá-lo, no dia em que João Paulo II, 18 de Maio, teria completado 85 anos. Uma data que suscita dor pelo seu desaparecimento, mas também mais afecto por Karol, o grande, o inesquecí­vel.

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