Um desafio que está ao seu alcance, se o povo da Baía sair à rua, como fizeram os povos indígenas de Roraima e o Movimento dos Sem Terra.
Um desafio que está ao seu alcance, se o povo da Baía sair à rua, como fizeram os povos indígenas de Roraima e o Movimento dos Sem Terra. De 5 a 7 de Maio, realizou-se, em Feira de Santana, a II Semana Social da Baía. Mais de 500 pessoas – bispos, padres, irmãs, seminaristas, leigos, membros de associações, movimentos sociais e até mesmo muitos intrusos – precedentes de todos os cantos (dioceses e paróquias) do maior estado do Nordeste brasileiro, reuniram-se para levarem a cabo um diagnóstico profundo da realidade. Mas, acima de tudo, pretendem buscar novos caminhos alternativos ao modelo económico vigente, a fim de se promover e construir uma nova Baía.
Itamar Vian, arcebispo de Feira de Santana e Presidente do evento, convidou todos a entrarem neste grande desafio de “entender melhor o que se está passando na Baía, discernir com mais clareza os desafios que precisam de ser enfrentados e avaliar com mais realismo o que pode ser feito”.

Segundo o prelado, “a urgência dos problemas nos convoca para a urgência da acção”. Perante o Prefeito municipal ” maior autoridade pública local ” o bispo capuchinho, na sessão de abertura, não se coibiu em apontar os mais sérios problemas da população nordestina, como “a concentração da renda, terra e poder, o aumento cada vez maior de excluídos sem terra e o abismo entre o rico e o pobre”.com a voz empolgada, o Presidente da II Semana Social da Baía fez um veemente apelo à urgente acção das autoridades públicas: “No socorro imediato aos que vivem mergulhados na miséria; melhorar o atendimento na saúde e criar infra-estruturas de saneamento básico; proporcionar educação para todos; ter cuidado com os velhos hábitos de autoritarismo, privilégios e enriquecimento ilí­cito que oprimem cada vez mais, a fim de se reverterem as actuais situações gritantes de desigualdade”.
Diante deste cenário, é legítimo e sensato querer uma Nova Baía? a resposta pode-se encontrar em dois acontecimentos importantes da actualidade: primeiro, na homologação da Raposa Serra do Sol aos Índios e na marcha dos Sem Terra, rumo a Brasí­lia, para exigirem a reforma agrária imediata. após trinta anos de luta e tomada de consciência, os Índios do Roraima alcançaram o que lhes havia sido indevidamente usurpado: um pedaço de chão para continuarem a viver.
a marcha de protesto do movimento dos Sem Terra que, a 17 de Maio, irá concentrar-se diante do Palácio do Planalto, sede do governo, na capital federal, já começou a mexer com os brios do governo. Uma longa fila de 20 mil pessoas irá gritar bem alto que têm direito a um pedaço de chão e também eles se sentem filhos do Brasil. à medida que esta longa marcha se aproxima da capital do poder, têm surgido vozes de que este enorme rio de gente está a caminhar com recursos e apoios ilí­citos das prefeituras de Goiânea. Mas o que é facto – e é isso que importa realçar – é que quando o povo se mexe, sai à rua, não há poder, não há governo que não trema. E até o governo, que se dizia dos trabalhadores, dos pobres e mais desfavorecidos ” o PT de Lula da Silva ” sente o solo a desabar debaixo de seus pés.
Qual a importância destes dois acontecimentos? Oh gente! é que têm a ver com os mais desfavorecidos, têm a ver com os mais excluídos, têm a ver com os mais indesejados: querem dizer que EXISTEM E QUEREM VIVER conscientes e livres. Porém, o que é digno de registo é que estas manifestações estão a ser protagonizadas e organizadas pelos mais directamente interessados: indígenas e povos sem terra. São eles os protagonistas, são eles que descem à rua, que assumem o comando da sua luta.
afinal, “Uma Nova Baía é possível” não é apenas um titulo, não é uma mera provocação, nem muito menos uma afirmação avulsa diante da realidade baiana, mas é um GRaNDE DESaFIO. Se o baiano sair à rua, como os povos indígenas, como o Movimento dos Sem Terra, pode tornar POSSIVEL este DESaFIO.

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