Pensamos que a palavra crise será a mais generalizada para definir a atual situação das pessoas, do país. a fé poderá, agora mais que nunca, constituir uma âncora de esperança para um futuro melhor
Pensamos que a palavra crise será a mais generalizada para definir a atual situação das pessoas, do país. a fé poderá, agora mais que nunca, constituir uma âncora de esperança para um futuro melhorFátima foi ao longo destes 95 anos o símbolo da perseverança do povo português, da crença no divino, da luta interior por algo melhor, mas sempre tendo Nossa Senhora como intercessora junto de Deus. Poderemos dizer que Fátima nasceu pela necessidade divina da redenção do homem, em plena Grande Guerra, que viria a terminar cerca de um ano depois. a mensagem da Virgem veiculada através daquelas humildes crianças era penitência e oração, não apenas para os portugueses, mas tendo todo o ser humano como destinatário. Daí o ter pedido para que os pastorinhos rezassem pela Rússia, no sentido de tentar evitar que a mesma espalhasse os seus erros pelo Mundo, o que viria a verificar-se após a revolução de 1917. Os desígnios de Deus para o ser humano são sempre de bem, embora nos permita a livre escolha, e não tem prazo, mas também nunca caduca. a profecia de Nossa Senhora de que a guerra acabaria cumpriu-se, mas ela havia dito que se não emendassem viria outra guerra ainda pior e tal aconteceu de 1939 a 1945, da qual resultou a divisão do Mundo entre comunistas e os outros. Já a conversão da Rússia demorou mais de 70 anos, tendo em conta a abertura de Mikhail Gorbatchov, então chefe do governo russo, em 1991. antes disso já tinha surgido um sinal: a queda do muro de Berlim (que dividia a alemanha) em 1989 e que contribuiu (simbolicamente) para que dois anos depois a liberdade fosse reconhecida na prática aos países subjugados pela ideologia comunista. Hoje o Mundo assiste a uma autêntica guerra económica, onde se defrontam os países produtores de matérias-primas e aqueles que necessitam das mesmas para sobreviver. a crise de que se fala começou por ser financeira (tendo os Estados Unidos como a origem do foco) e passou a económica por arrastamento, o que causou uma desordem mundial, primeiro nos EU a e depois na Europa. Os países europeus cuja gestão foi imprudente por parte daqueles que os governaram e/ou governam, entre os quais Portugal, estão numa situação de grande aperto económico, tanto as famílias como as pessoas individualmente. No caso português houve negligência e falta de responsabilidade política por parte dos governantes, o que nos conduziu a uma autêntica calamidade social e cuja saída parece estar longe.
Como é evidente a crise económica só veio aumentar o descalabro da sociedade, pois esta já vivia (e continua) uma violenta crise moral, o que agrava a situação. as pessoas tentam agora agarrar-se a tudo em que vislumbrem uma nesga de esperança, o que é perfeitamente legítimo e natural. É neste contexto que entra a fé, de forma correta ou não. Entendemos por correta quando é vivida e aponta para um exercício de vida cristã sadia, sendo a menos aceitável quando é encarada como panaceia, algo em que as pessoas se apoiam unicamente para tentar resolver os problemas. Cabe à Igreja sugerir e aconselhar os cristãos nestes momentos de incerteza, dar o exemplo de vivência do evangelho e sobretudo lutar ao lado deles por condições dignas para todos os seres humanos, independentemente de serem cristãos ou não.