Por maiores que sejam as restrições financeiras, deve haver o cuidado de evitar que algumas medidas agravem as diferenças no acesso aos cuidados de saúde, alerta a economista Maria Manuela Silva
Por maiores que sejam as restrições financeiras, deve haver o cuidado de evitar que algumas medidas agravem as diferenças no acesso aos cuidados de saúde, alerta a economista Maria Manuela Silva a procura de mais eficiência por causa da contenção orçamental não pode justificar a tomada de medidas, como a recente concentração territorial de alguns serviços de saúde, que acaba por agravar as desigualdades já existentes, alertou esta quarta-feira, em Fátima, Maria Manuela Silva, numa comunicação aos participantes do XXIV Encontro Nacional da Pastoral da Saúde. a meta da eficiência, nomeadamente em contexto de restrições financeiras, não pode deixar de integrar critérios de correção das desigualdades reais existentes, e em caso algum, vir a agravá-las, como tem acontecido com algumas medidas recentes, nomeadamente no que se refere à concentração territorial de alguns serviços. Por maiores que sejam as restrições, estas nunca deverão servir como argumento de inevitabilidade para justificar certas decisões, afirmou a economista. Numa intervenção intitulada a saúde como direito e como dever, a responsável referiu ainda que as alterações introduzidas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sob o pretexto da crise financeira, devem suscitar, aos profissionais de saúde e à opinião pública em geral, um rigoroso escrutínio, tendo em conta o superior interesse das pessoas e suas coletividades no que ao direito à saúde diz respeito. O XXIV Encontro Nacional da Pastoral Social decorre até sábado, no Centro Pastoral Paulo VI, sob o lema Cuidados de Saúde: Lugares de Esperança. No encontro, será feita uma análise à situação atual do setor, às consequências da crise, às preocupações de inovação e à responsabilidade da Igreja nesta área.