ONU elabora lista de suspeitos de crimes de genocídio em Darfur.
ONU elabora lista de suspeitos de crimes de genocídio em Darfur. O Conselho de segurança da Nações Unidas (ONU) decidiu levar ao Tribunal Penal Internacional uma lista de 51 suspeitos de crimes de genocídio na região de Darfur, no sul do Sudão.

Nos últimos 18 meses, cerca de 300 mil pessoas terão morrido em resultado da guerra entre os rebeldes locais e as milícias apoiadas pelo governo sudanês.

a guerra, recorde-se, tem origem num conflito de gerações entre os nómadas e criadores de gado arabizados, por um lado, e agricultores e comerciantes africanos, por outro, em disputa pela posse da terra e da água.
O governo de Cartum tem vindo a ser responsabilizado pelos acontecimentos, ao apoiar milícias e promover o ataque indiscriminado a populações civis do sul do Sudão.

«Ideologia do extermí­nio»
a decisão do Conselho de Segurança surge alguns dias após outra resolução importante da ONU acerca do Sudão: a de enviar uma força de 10 mil homens para vigiar o instável acordo de paz, assinado em Janeiro, entre Cartum e o Exército de Libertação do Sudão, e que pôs fim a um conflito de 21 anos, responsável por dois milhões de mortos e quatro milhões de refugiados.

as recentes evolu­ções do conflito su­­danês permiti­ram actualizar o debate sobre o papel da Comunidade In­ternacional e da ONU, em particular, no desenvolvimento de medidas capazes de pôr fim a genocídios e a crimes contra a humanidade.

Há cerca de um ano, Gareth Evans e Ste­phen Ellis ” respectivamente, o presidente e o director do programa africano do Grupo Internacional de Crise da ONU “, num artigo publicado no Le Monde, defendiam estarmos na presença de uma ideologia na África Central «que faz da exterminação dos outros a condição da sua própria sobrevivência». Entre os casos citados, estão genocídios como os ocorridos no Burundi, em 1972, com cerca de 200 mil mortos, ou no Ruanda, em 1994, com 800 mil a um milhão de mortos.
Crimes da mesma natureza têm sido cometidos de forma isolada no Congo, entre 1996 e 1998 e, novamente, no Burundi, entre 1993 e 2003. Esta situação, na opinião dos autores, justifica a permanência de uma força especial, capaz de intervir nos conflitos regionais para evitar a repetição destes dramas.

Ultrapassar o impasse
até agora, países estrangeiros, como a França, com as suas forças de intervenção rápida, têm resolvido problemas pontuais, criando condições de segurança até que se instalem no terreno os capacetes azuis ou outras forças de paz. Mas estas missões, quase asseguradas por países ocidentais, tendem a perder força e, por vezes mesmo, credibilidade.

Gareth Evans e Stephen Ellis notam que, não obstante verificarmos a presença de 150 mil soldados no Iraque, e 10 mil num território reduzido como o da Bósnia, a ONU não tem conseguido reunir mais do que dez mil soldados para países como o Congo, com um território equivalente a toda a Europa continental. E acrescentam: «O dilema das operações de paz na África a Sul do Sara(… ) só pode ser resolvido através de um esforço internacional importante para formar uma força local de intervenção rápida».

Neste sentido, a ONU está a tentar ultrapassar o problema, criando e financiando cinco for­ças regionais, de dois a três mil soldados. O objectivo é que, em 2010, elas possam trans­formar-se em ver­­dadeiras forças de imposição da paz. Por um lado, pretende-se evitar o envolvimento das grandes potências ocidentais, com meios mas com pouco empenho numa presença prolongada que estes conflitos exigem.

Por outro lado, procura-se criar forças com base nos países da região, empenhados na solução dos conflitos, mas geralmente com falta de meios para garantir uma intervenção eficaz.

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