Os rebeldes tuaregues do Mali declararam, sexta-feira, 5 de abril, a independência da região norte, dividindo o devastado país em duas partes. Crescem os receios de um desastre humanitário numa região outrora considerada uma democracia de sucesso
Os rebeldes tuaregues do Mali declararam, sexta-feira, 5 de abril, a independência da região norte, dividindo o devastado país em duas partes. Crescem os receios de um desastre humanitário numa região outrora considerada uma democracia de sucessoDividido numa metade norte controlada pelos rebeldes e a outra metade sul governada por uma junta militar golpista, o Mali procura uma solução ante o colapso. a comunidade interncional olha com apreensão para este país da região oeste africana e as organizações humanitárias alertam para uma iminente catástrofe humanitária. Centenas de pessoas fogem das principais cidades do norte do país, enquanto os grupos rebeldes saqueiam e roubam alimentos e remédios em toda a região. O Movimento Nacional de Libertação do azawad (MNLa), importante componente da rebelião tuaregue do Mali, proclamou na manhã de sexta-feira a independência de uma região que chamam de azawad e que ocupa todo o norte do Mali, uma área pela qual lutam há décadas. Proclamamos solenemente a independência do azawad a partir deste dia, declarou o porta-voz do MNLa, Mossa ag attaher, confirmando uma mensagem publicada no site do grupo. attaher prometeu que o MNL a respeitará as fronteiras dos Estados limítrofes e interromperá todas as ações militares. Em apenas duas semanas, os tuaregues passaram a controlar todo o norte do Mali, com a ajuda de grupos islamistas, após o golpe militar na capital, Bamaco. Os rebeldes tuaregues e os grupos islâmicos tomaram o controle das três cidades do norte: Kidal, Gao e Timbuktu, sem alguma resistência por parte do desorganizado e desarmado exército do Mali. O controle real dos tuaregues sobre a região parece frágil, já que os seus aliados islamistas anunciaram a imposição da sharia (lei islâmica) e sequestraram sete argelinos no noroeste do país. O porta-voz condenou o sequestro do cônsul da argélia em Gao por um comando terrorista e disse que um grupo de assaltantes não identificados levou o cônsul e seis de seus colaboradores para um destino desconhecido. Testemunhas no local afirmam que os reais senhores do norte do Mali não são os tuaregues, mas o grupo ansar Dine.organizações humanitárias, como a Oxfam e World Vision, já manifestaram preocupação com as severas sanções impostas ao Mali depois do golpe militar, inclusive pelos países vizinhos. Temem o aumento da crise alimentar no caso de manutenção das sanções. O Mali mergulhou no caos após o golpe de Estado de 22 de março contra o presidente amadou Toumani Toure, que deixaria o poder uma semana depois. Liderada pelo capitão amadou Sanogo, a junta militar que assumiu o controle do país acusa que a solução do conflito com a rebelião tuaregue tinha fracassado. Os rebeldes aproveitaram o vazio de poder e controlaram o norte do Mali.