a polícia moçambicana não consegue pôr fim à violência nas ruas de Maputo. Pelo contrário, às vezes, é responsável pela própria brutalidade. O país necessita de uma força eficiente e bem disciplinada.
a polícia moçambicana não consegue pôr fim à violência nas ruas de Maputo. Pelo contrário, às vezes, é responsável pela própria brutalidade. O país necessita de uma força eficiente e bem disciplinada. Na semana passada, apareceu uma notícia nos meios de comunicação de Maputo, em Moçambique, que provocou algumas considerações. Trata-se de um caso de confusão de identidade. Não é raro confundir as pessoas. Este caso é singular porque foi um erro cometido pela polícia e a pessoa foi alvejada duas vezes.

Pelo que percebi da história, a policia procurava um criminoso especializado no furto de viaturas. Para o capturar socorreram-se da colaboração da “namorada” do mesmo, que acompanhou os agentes da segurança pública numa ronda nocturna.

Tendo avistado um veículo semelhante ao veículo do seu namorado, em que o condutor usava uma camisa preta como ele, identificou-o como sendo o seu namorado. a polícia intimou-o a parar o que ele fez prontamente. Chamou o suspeito pelo nome e ordenou que abandonasse a viatura. Este abriu a porta e esclareceu que aquele não era o seu nome.

ao descer do carro, foi alvejado na perna direita. Procurou levantar-se e voltou a afirmar que não era o tal “Betinho”, que a polícia procurava. Foi alvejado, pela segunda vez, agora na perna esquerda.

Foi então que a “namorada” deu conta que, de facto, não era a pessoa procurada. ao verificar a identidade do suspeito e constatando o erro, a polícia abandonou a vítima no local do incidente. Foram as pessoas, que viajavam com ele na viatura, que o acompanharam ao hospital.

O porta-voz da polícia reconheceu que tinha havido erro, mas atirou a culpa para a “namorada”, pelo que não havia motivo para a polícia pedir desculpa.

Ora permitam-me discordar. Estamos habituados aos excessos de força, demonstrados pela polícia. agressões a jornalistas estão na ordem do dia. Em Nampula espancaram e prenderam um grupo de estudantes menores de idade. Manifestavam-se pacificamente nas proximidades da escola, porque as notas do ano anterior ainda não tinham sido tornadas públicas (estando já o ano lectivo em curso e não podendo assim matricular-se).

Poderia alongar a lista de brutalidades a cargo das forças da ordem. Estes exemplos servem para dar uma ideia geral da situação.

Facto relevante é que no país existem 60 empresas privadas de segurança, com um efectivo de 20. 000 homens (o exército moçambicano tem cerca de 13. 000). Na sua maioria, as empresas de segurança estão sediadas em Maputo. Os í­ndices de criminalidade não páram de subir e as pessoas não confiam na eficácia da força policial.

Onde está o problema? O excesso de força não consegue eliminar o excesso de crime. Porquê? Uma das causas é o facto de muitos dos agentes da ordem serem provenientes do antigo exército, habituados a matar e a pilhar. Foram treinados para matar sem olhar a quem e para sobreviver.como polícias, agem de acordo com o treino que receberam: escapar ao perigo para salvar a vida, matar antes de ser morto e apoderar-se do está à mão.

é um quadro de tintas pesadas, porventura exageradas. a verdade é que, enquanto o homem se preparar para a guerra, não poderá ter atitudes pacíficas. Enquanto se ensinar a violência, haverá agredidos e agressores. Enquanto se exaltar a força, haverá oprimidos. Enquanto se premiar a maldade, haverá vítimas.

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