Os 49 missionários da Consolata, vindos de 24 países para o XI Capítulo Geral em São Paulo (Brasil), transformaram num gesto muito significativo a entrega das lembranças que trouxeram consigo.
Os 49 missionários da Consolata, vindos de 24 países para o XI Capítulo Geral em São Paulo (Brasil), transformaram num gesto muito significativo a entrega das lembranças que trouxeram consigo. Cada delegação escolheu objectos típicos do seu país de missão para ficarem guardados no pequeno museu da casa onde se reúnem. Foi um momento de partilha e profunda comunhão missionária. ao apresentar os artigos da sua escolha, cada delegado ia dizendo o papel e o significado que tal objecto tem dentro da cultura do país ou povo representado.

a primeira coisa que se regista é este cuidado do missionário, ao entrar num ambiente que lhe é estranho, interessar-se com carinho e respeito pelos valores do povo e da cultura que o acolhe. ao dedicar-se ao conhecimento da língua e dos costumes, vai à raí­z, procura os símbolos, porque estes lhe vão servir como veículos de evangelização.

Foi interessante ouvir, por exemplo, o delegado da argentina discursar sobre a “filosofia” do mate, o popular chá local; ou o da Venezuela apresentar um instrumento musical e descrever a dança que lhe anda associada. Mas mais interessante foi verificar a maneira inteligente como se está a fazer um grande esforço sobretudo na catequese para empregar recursos locais: objectos e instrumentos tradicionais transformam-se em símbolos, começam a adquirir um novo significado e são postos ao serviço de uma maior compreensão da mensagem cristã.

é assim que o tradicional machado de guerra das tribos do Congo pode ser “desarmado” e mudado em símbolo de força, maturidade, autoridade, responsabilidade e entrar na liturgia e nos sacramentos. as faixas que as mulheres usam para trazerem as crianças ao colo ou às costas, tí­picas das tribos Índias da amazónia ou da Colômbia, carregadas de figuras tí­picas, ricas de forma e cor, são autênticos livros abertos à espera de alguém que os saiba ler. Na instrução cristã dada gradualmente o missionário encontra ali o melhor suporte.

São os caminhos da inculturação do Evangelho, uma tarefa séria que só se pode fazer localmente e que é parte integrante da missão.

Na foto: Luís Tomás e Mário Siva, delegados de Portugal ao Capítulo, sustentam a estátua de Nossa Senhora que oferecerram, como lembrança.

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