Bispo auxiliar de Braga defende a promoção de «um diálogo harmonioso e a várias vozes», que permita a descoberta de novas linguagens e soluções
Bispo auxiliar de Braga defende a promoção de «um diálogo harmonioso e a várias vozes», que permita a descoberta de novas linguagens e soluções«Na relação da Igreja com a cultura, há, de facto, que criar novas linguagens, aptas a desvelar os mistérios com que topamos. Há que manter religiosamente’ as que, num dado tempo, serviram para o exprimir. Há que repensar técnicas e conceitos. Mas há que, fundamentalmente, confrontar, compenetrar, intercambiar, relacionar e colocar as diversas culturas em diálogo, afirma Manuel Linda. Para o prelado, «a nova ordem mundial só pode acontecer mediante uma gramática relacional que evite a absorção das culturas autóctones por uma hegemonia neo-colonialista e não siga pelos caminhos do confronto, como parecem desejar alguns setores radicais ao opor o Islão ao Ocidente. E a conflito entre civilizações, para o qual alertou Samuel Huntington, deve ser evitado. Em síntese, «na sua relação com a cultura, a Igreja é chamada a favorecer um diálogo harmonioso e a várias vozes. Como na polifonia: um barítono e um soprano são portadores de timbres de voz discrepantes e até cantam distintas notas musicais. Não obstante, a excelência da peça verifica-se na fecunda harmonização que o compositor intuiu, refere Manuel Linda, num depoimento prestado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.