“Vós sois o templo de Deus e o templo de Deus é santo. Vós sois esse templo!”, revela-nos o Espírito Santo no texto da primeira carta aos Coríntios (3, 16-17), que lemos no terceiro domingo de Quaresma
“Vós sois o templo de Deus e o templo de Deus é santo. Vós sois esse templo!”, revela-nos o Espírito Santo no texto da primeira carta aos Coríntios (3, 16-17), que lemos no terceiro domingo de QuaresmaPara nós, cristãos, a Quaresma é um tempo de purificação pessoal e comunitária, um tempo para acertar agulhas. Mas, ao vermos as muitas dificuldades que tanta gente atravessa nos nossos dias, é possível sentirmo-nos impotentes para avançar na Quaresma da nossa vida. Pode ser que sintamos dúvidas de que a família humana seja capaz de resolver os problemas que assolam a humanidade. Outras vezes, temos a impressão que, em certos círculos, nem sempre há boa vontade de curar tanto sofrimento. No evangelho de hoje, o Senhor Jesus vai ao templo de Jerusalém e vê a desordem e o espírito de ganância, ao usarem muitos o templo de Deus como uma arena de negócios. Jesus faz um azorrague de cordas e expulsa os vendilhões do templo, purifica a casa de Deus que, diz Ele, é casa de oração e não de comércio. Jesus purifica o templo!Não é de todo estranho que nos aconteça a nós um pouco do que acontecia no templo de Jerusalém. andamos tão atarefados e preocupados com tantas coisas, que se cria em nós, por vezes, um vazio de oração, de contacto com o nosso Criador e Salvador. Pode isto tornar-se doloroso para nós. Deus, ao criar-nos, deu-nos dois elementos de grande valor que devemos tratar esmeradamente: um corpo e uma alma. Se cuidamos só de um deles, vai haver, mais tarde ou mais cedo, um desequilíbrio na nossa vida, desequilíbrio esse que se traduz em ausência de sentimento de realização e de felicidade. Imaginemos quantas ideias se formam dentro de nós durante um dia! E este número de ideias pode gerar em nós uma tensão que altera o equilíbrio são da nossa vida física, psicológica e espiritual. Por isso, temos necessidade de purificar amiúde o nosso interior. Quanto nos aproveitaria se todos tirássemos dez minutos por dia, dez dos 1. 440 minutos que tem cada dia, para nos sentarmos serenamente, relaxarmos o nosso corpo, esvaziarmo-nos de todas as preocupações, desligarmos toda a gama de aparelhos sonoros e visuais que nos impedem de vivermos a sós connosco próprios alguns momentos de serenidade. Seriam também estes momentos ocasiões ideais para escutarmos o murmúrio do Espírito de Deus em nós, que tanta paz nos pode e quer trazer. Nesta empresa de purificação, não estamos sós. Jesus quer purificar-nos, quer dar-nos um coração de carne livre de tantos apegos massacrantes, quer colocar dentro de nós o seu próprio espírito! (cf. Ezequiel 36, 26-27). Confrontada com uma ameaça grave à sua vida por ser solteira e estar grávida por obra do Espírito Santo, Maria de Nazaré não recua para dentro de si mesma, mas vai praticar a caridade para com a sua prima Isabel e cantar as maravilhas do Senhor no Magnificat. Belo exemplo de reação cristã aos negativos que podem medrar na nossa vida! Parafraseando Jesus, seremos então capazes de arrasar os templos das nossas insatisfações e, em pouco tempo, reconstruir um templo de paz e serenidade dentro de nós, um templo de delicadeza para com o próximo? Oxalá aprendamos durante esta Quaresma a escutarmos melhor o murmúrio do Espírito em nós!