Oito da manhã e o calor já aperta. à sombra do cajueiro, cerca de duas dezenas de mulheres e alguns homens, sentados sobre esteiras, esperam o início da primeira reunião de pais da escolinha de São José de Nhaduga, a sete quilómetros do Guiúa, Inhambane
Oito da manhã e o calor já aperta. à sombra do cajueiro, cerca de duas dezenas de mulheres e alguns homens, sentados sobre esteiras, esperam o início da primeira reunião de pais da escolinha de São José de Nhaduga, a sete quilómetros do Guiúa, InhambaneMuitas crianças, umas de peito ainda embrulhadas na capulana da mãe, outras mais crescidinhas, futuras alunas da nova escolinha, aguardavam expectantes o que se iria passar. Iniciou-se a reunião daquela que é a primeira escolinha de uma das comunidades de Santa Isabel do Guiúa. É um projeto pioneiro para a missão e é o reconhecimento da maturidade da comunidade. a evolução desta comunidade, a sua capacidade de mobilização e organização e também o crescimento em número, ditaram a necessidade da construção de uma nova capela, maior, mais ampla e de material mais resistente, em alvenaria. a ideia de iniciar uma escolinha decorreu, também deste amadurecimento e capacidade de iniciativa dos cristãos de Nhaduga. a paróquia de Santa Isabel lançou à comunidade o desafio e esta abraçou-o imediatamente. a monitora Celeste foi escolhida entre os animadores da comunidade pela sua capacidade de comunicação com as crianças e por se destacar na mobilização das pessoas. Proposto o nome, foi aprovado pelo conselho da comunidade. Em menos de uma semana já tínhamos uma lista de 33 crianças inscritas. Na última semana de janeiro enviámos a monitora para uma pequena formação em pedagogia e psicologia infantis e, durante o mês de fevereiro, foi-lhe proporcionado um mês de estágio na escolinha do Guiúa. O espaço da antiga capela, foi cedido pela missão de Santa Isabel do Guiúa, para aí funcionar a nova escolinha e o mobiliário de uma antiga escolinha reconduzido para Nhaduga. Do Guiúa, vieram também os materiais: cadernos para ilustração, lápis, folhas, plasticinas, bola e alguns brinquedos; as batinhas, o alguidar para lavagem de mãos e até a panela para fazer a papinha. Na reunião de pais, fez-se a chamada das crianças, e uma exposição dos principais objetivos da escolinha. Salientou-se a importância da sociabilização, do desenvolvimento das capacidades fisico-motoras e de expressão plástica e sensibilizou-se para a importância do ensino em língua portuguesa no futuro desempenho escolar. Definiram-se as regras da escolinha: horário, limpeza, alimentação. Para fazer a papinha das crianças, organizaram-se escalas de mães que hão de trazer a lenha e cozinhar. Tudo combinado, todos juntos, pais e mães, limparam a sala e arrumaram as cadeiras. É dia de escola. O primeiro dia de aulas para as crianças e para a escola de Nhaduga. Uma aventura que agora começa e já não pode voltar para trás.