Milhares de jovens e crianças, muitos destes autores de atrocidades nas guerras civis da África Ocidental, estão a ser recrutados para os conflitos emergentes. Faltam alternativas à guerra.
Milhares de jovens e crianças, muitos destes autores de atrocidades nas guerras civis da África Ocidental, estão a ser recrutados para os conflitos emergentes. Faltam alternativas à guerra. Costa de Marfim e Guiné, dois países marcados pela crescente instabilidade Política, são os teatros actuais que atraem estes jovens. São mercenários que cresceram na guerra em países como a Libéria, Serra Leoa, Costa do Marfim e Guiné.

Desde os anos oitenta a impunidade e a pobreza levaram a uma escalada da violência nestes países. Uma e outra vez estes mercenários, muitos deles raptados em crianças por grupos armados, são atraí­dos pelas zonas de conflito. Muitos destes combatentes cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade. políticas governamentais corruptas, assim como traficantes que inundam a região com armas, levam a um aumento da intensidade destes conflitos internos.

“Quebrar o ciclo de atrocidade na África Ocidental depende do desarme deste guerreiros, e da sua desmobilização, dando-lhes alternativas para a guerra”, disse Peter Takirambudde, director do Observatório dos Direitos Humanos (HRW) para a África. Criar alternativas é essencial para prever a necessidade de novas intervenções a curto prazo.

O HRW apurou que centenas de combatentes desmobilizados na Libéria, incluindo crianças, tinham sido recrutados para lutar na Costa do Marfim. Segundo as fontes consultadas, estes recrutamentos foram feitos pelas milícias associadas ao governo da Costa do Marfim.

Quando foram recrutados pela segunda vez, todos estavam desempregados ou a viver em condições precárias. Foram motivados com compensações económicas e a oportunidade para saquear.

“Pensámos que tudo ia correr bem, mas não. Não havia comida”, disse um combatente liberiano. “Eu tinha que alimentar os meus pais. Os comandantes disseram que podí­amos ser auto compensados, o que quer dizer saquear”.

Muitos receberam pelo menos uma parte da compensação económica oferecida pelo recrutadores. Muitos deles afirmam ter usado o dinheiro para pagar rendas, escola e tratamentos médicos da família alargada.

Esforços internacionais para desarmar e reintegrar antigos combatentes nas suas comunidades de origem têm tido uma taxa de sucesso muito limitada, diz o HRW. Também são denunciados abusos por parte de oficiais que desviam fundos das nações Unidas destinados aos seus subordinados.

Uma desmobilização só pode ser efectiva quando se criem oportunidades de educação e trabalho. Na falta destas condições os antigos combatentes ficam muito vulneráveis a ser recrutados para novos conflitos.

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