a janela do terceiro andar do palácio apostólico, a segunda do lado direito, à qual, durante 26 anos, Karol Wojtyla se abeirou, está fechada.
a janela do terceiro andar do palácio apostólico, a segunda do lado direito, à qual, durante 26 anos, Karol Wojtyla se abeirou, está fechada. João Paulo II “está à janela da Casa do Pai, olha para nós e abençoa-nos”. Quando o cardeal José Ratzinger conclui com estas palavras a homilia dos funerais do Papa, um sentimento de comoção geral percorre os milhares de corações presentes na Praça de São Pedro. Foram muitos os que levantaram os olhos para fixar a janela do terceiro andar do palácio apostólico, a segunda do lado direito, à qual, durante 26 anos, Karol Wojtyla se abeirou para abençoar e saudar, e até para brrincar com os “seus” fiéis.

agora esta janela, como todas as outras do terceiro andar onde o Papa habitava, está fechada. Os missionários da Consolata, habituados a vê-las completamentre abertas, da sua casa generalí­cia situada a poucas centenas de metros do palácio apostólico, sentem um aperto de coração ao vê-las agora fechadas.

a relação dos “romanos” com a janela do Papa tem uma longa história. Porém, nunca, como com João Paulo II, houve uma atenção tão particular: nos momentos tristes, quando o Pontífice estava doente, mas também em ocasiões de alegria, como, depois da vitória dos mundiais de futebol de 1982, quando não faltaram as cores e as caravanas de automóveis diante da Praça de São Pedro.

Nos últimos anos, quando o Papa já tinha dificuldade em movimentar-se, tornou-se um hábito colocar uma luz acesa atrás daquela janela para lembrar ao mundo que Wojtyla estava ali à beira, a rezar. Um costume que já remonta aos primeiros anos do pontificado, como aconteceu na Vigília de Natal de 1981. Rito que se repetiu no último Natal, em 2004, quando na escuridão do seu gabinete, se acendeu a “vela da paz”.

Mas foi durante os últinmos dias da sua vida, naquelas longas horas de agonia, que a janela do Papa se tornou o centro de todas as atenções. Os fiéis na Praça de São Pedro rezavam e choravam, não tinham outra referência senão a janela do gabinete e a janela ao lado, com as luzes acesas durante toda a noite de sexta-feira. ao passo que a janela do seu quarto permanecia escura: sinal ainda de esperança. Porém, às 21,37 horas de sábado, também esta janela se iluminou. Toda a gente ficou a saber que João Paulo II acabava de nos deixar. a notícia foi dada ao mundo com uma luz acesa, qual símbolo do anúncio pascal, da ressurreição e da vida para sempre.

Hoje a janela fechada do seu gabinete recorda sobretudo as últimas e sofridas aparições públicas de João Paulo II.como o cardeal Ratzinger sublinhou na homilia: “Para todos nós permanece inesquecí­vel, como no último domingo de Páscoa da sua vida, o Santo Padre, marcado pelo sofrimento, se abeirou ainda uma vez mais da janela e, pela última vez, deu a benção ‘Urbi et orbi’ (í  cidade e ao mundo).

“Estamos certos que o nosso amado Papa está agora à janela da Casa do Pai, olha para nós e abençoa-nos. Sim, abençai-nos Santo Padre. Nós entregamos a tua alma querida à Mãe de Deus, tua Mãe, que te guiou e te guiará agora até à glória eterna do seu Filho, Jesus Cristo Nosso Senhor”.

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