Saraiva Martins, cardeal prefeito da Congregação Causa dos Santos
Saraiva Martins, cardeal prefeito da Congregação Causa dos Santos”Não tenhais medo. abri as portas a Cristo. “Estas palavras dirigidas pelo cardeal Karol Wojtyla, arcebispo de Cracóvia, no dia 16 de Outubro de 1978, logo depois da sua eleição, aos fiéis que enchiam a Praça de São Pedro para ver o novo Papa, contém já os elementos fundamentais que caracterizariam o seu longo pontificado. O de João Paulo II foi, sem dúvida, um pontificado extraordinariamente intenso e fecundo. Em todos estes anos, o Papa “vindo de longe”, como ele mesmo se definiu, desenvolveu uma incansável e eficaz actividade pastoral em todos os níveis da Igreja e da sociedade do nosso tempo.

as suas numerosas viagens apostólicas pelos cinco continentes são a mais perfeita expressão do seu zelo pastoral, como sucessor de Pedro. Seguindo o exemplo de São Paulo, também ele se pôs a caminho pelas estradas do mundo, para anunciar a Boa notícia do Evangelho aos homens e aos povos. O Papa polaco foi, sem dúvida, em todos estes anos, o primeiro missionário da Igreja.

a segunda caracterí­stica do pontificado de João Paulo II foi a sua grande paixão pelo homem.como sucessor de Pedro, ele esteve sempre ao lado do homem de hoje. Num mundo cada vez mais complexo, como é o nosso, perante os vários problemas relativos ao homem, o Papa levantou sempre a sua voz para defender a dignidade da pessoa humana, a sua sacralidade e centralidade, as suas aspirações, os seus direitos fundamentais e, portanto, sagrados, intangí­veis. Toda e qualquer ofensa ao homem é, e será sempre, uma ofensa a Deus que o criou à sua imagem e semelhança.

Em terceiro lugar, falando de João Paulo II, não se pode esquecer o que ele fez, ao longo de todo o seu pontificado, pela paz entre os homens e os povos. O homem foi feito para viver em paz consigo mesmo, com Deus e com os outros. Não há nada mais contrário à verdadeira natureza humana do que as guerras entre os homens. as mensagens anuais do Papa Wojtyla, por ocasião da Jornada Mundial da Paz, são outras tantas preciosas lições sobre o tema da paz.

Da verdadeira paz, ou seja, da paz baseada na verdade, justiça, liberdade, amor e perdão. Em particular, sem justiça em todos os sectores da vida humana, não pode haver paz “Opus iustiae pax. ” a justiça social é o outro nome da paz. Quisera, por fim, sublinhar como Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, outro aspecto extremamente importante do pontificado do Papa actual: o da santidade. Promovê-la foi sempre uma das preocupações fundamentais desde o início do seu ministério petrino.

a santidade pertence ao código genético da Igreja. é um dos seus elementos constitutivos. Uma Igreja que não fosse santa nos seus membros, não seria a verdadeira Igreja de Cristo. O Papa sublinhou com frequência que a finalidade de toda a actividade pastoral da Igreja e das suas próprias estruturas, não é senão o de suscitar nos fiéis o desejo de tender à santidade; àquela santidade que é a plenitude da humanidade.

DN, 4/4/2005

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