Carlos Cabecinhas, sacerdote da diocese de Leiria-Fátima, partilha com a Fátima Missionária alguns sentimentos e impressões sobre a morte de João Paulo II. Não se pode ficar indiferente.
Carlos Cabecinhas, sacerdote da diocese de Leiria-Fátima, partilha com a Fátima Missionária alguns sentimentos e impressões sobre a morte de João Paulo II. Não se pode ficar indiferente. a morte é um mistério que, deveria ser rodeado de respeitoso silêncio. Contudo, a “passagem deste mundo para o Pai” de uma figura incomparável, como é a do Papa João Paulo II, nunca poderia passar despercebida. a cobertura mediática, inevitável dada a sua projecção mundial, não conhece essa linguagem do silêncio. Mas graças a ela, vimos não apenas os católicos de todo o mundo, mas também muitos crentes de outras religiões, agnósticos e ateus a acompanhar a agonia do Papa.

Folheando o diário espanhol “El Mundo”, de 3 de abril de 2005, chamou-me a atenção uma espécie de inquérito feito a 100 figuras públicas espanholas, com a pergunta: “Que classificação, de 0 a 10, daria ao pontificado de João Paulo II?”. Nestas ocasiões, todos costumam fazer o elogio das virtudes do defunto, mas a verdade é que a média apurada era de 6,5! Muitas figuras interrogadas deram a nota máxima (10), mas muitas também a mí­nima (0)! Será de estranhar? Penso que não. João Paulo II foi uma figura demasiado grande, para poder deixar alguém indiferente… e alguns dos que se sentiram incomodados pelas suas posições, nem nesta ocasião deixam de o fazer notar.

as figuras mais proeminentes destacam, no pontificado de João Paulo II, a sua contribuição decisiva para a derrocada do sistema comunista dos países do Leste europeu, a sua luta incansável pela paz e pelo respeito dos direitos humanos… Mas terá sido isso o mais decisivo? Pessoalmente penso que esses aspectos só se compreendem verdadeiramente à luz da sua paixão por Jesus Cristo. Do primeiro ao último momento do seu pontificado, esteve sempre a pessoa de Jesus Cristo. a comoção que varreu o mundo com a notícia da morte do Papa polaco não é a da morte de um chefe de estado. é a comoção pelo reconhecimento da sua inquebrantável fé, do seu incansável esforço por levar Jesus Cristo a todos os cantos do mundo e a todas as dimensões da vida; é a comoção pela envergadura singular, enorme, deste homem.

Para a minha geração, João Paulo II não foi “um Papa”: é “o” Papa. Paulo VI e João Paulo I ocuparam a cátedra pontifí­cia na minha infância. Mas neste quarto de século foi sempre João Paulo II o Papa. Foi nele que nos habituamos a ver o guia, o sinal visí­vel da unidade da Igreja, a voz incómoda, o pastor. Desde a minha ordenação presbiteral, foi sempre em união com o Papa João Paulo II que celebrei a Eucaristia… Não bastará isto para sublinhar o quanto a sua morte é significativa?

Presbí­tero da Diocese de Leiria-Fátima, não posso deixar de sublinhar a sua importância para Fátima (e a importância de Fátima para João Paulo II). O “Papa de Fátima” é, sem dúvida, João Paulo II. a notícia da sua morte traz inevitavelmente à memória as suas visitas ao Santuário, mas também, no ano jubilar, a ida da imagem da Capelinha das aparições a Roma. Encontrava-me em Roma nessa altura e esse foi um momento de especial sabor e significado.

a admiração por este grande cristão e homem, pela coragem dos seus gestos proféticos, é acompanhada, neste momento, não tanto pela dor, pois para o cristão “a vida não acaba, apenas se transforma”, como afirma o primeiro Prefácio pelos defuntos, mas sobretudo pela gratidão e confiança. a gratidão pelo grande dom que João Paulo II foi para a Igreja e para o nosso mundo; e a confiança no Espírito que conduz a Igreja.

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