Muita emoção no anúncio da morte do Santo Padre. “ímen” foi a sua última palavra a concluir uma vida abandonada nas mãos do seu Senhor.
Muita emoção no anúncio da morte do Santo Padre. “ímen” foi a sua última palavra a concluir uma vida abandonada nas mãos do seu Senhor. Eram as 21h37 em Roma, quando João Paulo II faleceu. Fora, na praça de São Pedro, uma enorme multidão rezava com fervor. Pelas 22 horas, o arcebispo Leonardo Sandri, substituto da Secretaria de Estado, anunciou o falecimento do Papa: «às 21h37, o nosso Santo Padre regressou à Casa do Pai». O anúncio comoveu toda a gente.

Escutavam-no mais de 60. 000 pessoas, que acabavam de rezar o terço por João Paulo II. Houve quem se ajoelhasse imediatamente para uma prece mais fervorosa ainda. Muita gente com as lágrimas nos olhos. O arcebispo entoou o “Salve Regina” seguindo-se um longo aplauso. O cardeal angelo Sodano iniciou a oração do «De profundis», em latim e italiano.

Dizem que o Santo Padre esteve consciente até ao fim. Nos últimos instantes voltou a cara para a janela, aberta sobre a praça, e disse “ímen”. Foi a sua última oração, no abandono total nas mãos de Deus. Os sinos da basílica de São Pedro dobraram a finados durante dez minutos. a praça foi-se enchendo cada vez mais. Durante a noite muita gente, sobretudo gente jovem, continuou em silêncio e oração pessoal.

Esta manhã o cardeal Sodano celebrou a missa na praça para uma multidão incalculável. Lá no alto a quarta janela do Palácio apostólico, sala em que se encontra o féretro do Papa, está permanentemente aberta. O cardeal na sua homilia falou dos últimos momentos do Santo Padre, sobretudo da sua serenidade “a serenidade dos santos”. Falou do Papa como o “cantor da civilização do amor”, evocando o dia de hoje, dedicado à Divina Misericórdia, que o próprio João Paulo II instituiu há cinco anos. Recordou como o Papa queria que a Igreja fosse: ” a casa da misericórdia”. E acrescentou: “as relações entre os homens devem ser aperfeiçoadas pelo amor misericordioso. Não basta a justiça. ”

Durante a homilia, as pessoas interrompiam com aplausos sempre que se falava expressamente do Papa ou sempre que aparecia em primeiro plano, no écran televisivo, a sua imagem bem visí­vel nas mãos dos presentes. O jornal do Vaticano saiu já ontem à noite com um número especial relatando estes quase 27 anos de pontificado. Relata todo o seu percurso, focando sobretudo os contactos com as pessoas.

Nenhum outro Papa se encontrou com tantas pessoas como João Paulo II: em números, mais de 17. 600. 100 peregrinos participaram das mais de 1160 audiências Gerais que se celebram nas quartas-feiras. Esse número não inclui as outras audiências especiais e as celebrações religiosas [mais de 8 milhões de peregrinos durante o Grande Jubileu do ano 2000] e os milhões de fiéis que o Papa encontrou durante as visitas pastorais efectuadas na Itália e no resto do mundo.

Devem-se recordar também as numerosas personalidades de governo com as quais manteve encontros durante 38 visitas oficiais e as 738 audiências ou encontros com chefes de Estado e 246 audiências e encontros com primeiros-ministros.

Um pontificado que ficará na história, o de João Paulo II, “O Grande”, como já por aqui lhe chamam.

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