a Frelimo, que ganhou as eleições em Moçambique, tem um programa ambicioso. Resta saber até que ponto será posto em prática. Será um programa político ou uma burla?
a Frelimo, que ganhou as eleições em Moçambique, tem um programa ambicioso. Resta saber até que ponto será posto em prática. Será um programa político ou uma burla?Em Moçambique a expectativa sobre a actuação do novo governo, recentemente formado, é grande. Desde a assinatura dos acordos de paz, a situação tem vindo a melhorar consideravelmente. Porém, a maioria da população vive ainda em condições inaceitáveis. O novo governo enfrenta enormes desafios.

Nos últimos tempos o presidente moçambicano, armando Guebuza, tem visitado os principais centros habitacionais das províncias para agradecer a confiança deposta nele e no seu partido, Frelimo, através do voto nas eleições gerais de Janeiro último. Nestas visitas são também renovadas as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

é necessário admitir que o seu programa toca problemas fundamentais da sociedade moçambicana. Se cumprir pelo menos metade das promessas, significaria uma redução significativa do atraso que caracteriza Moçambique.

a primeira promessa refere-se à luta contra a pobreza absoluta. Para alcançar este objectivo é imperioso investir na área da saúde e da educação. Também é evidente a falta de emprego. Um inquérito recente, do final de 2004, afirma que somente 20 por cento da força de trabalho está empregada; os restantes 80 por cento vivem da agricultura de subsistência e do comércio alternativo, para não dizer ilegal.

a segunda promessa refere-se ao combate à corrupção. é impressionante que o partido no poder e o próprio governo admitam a existência de uma corrupção generalizada. Normalmente estas coisas sabem-se, sussurram-se, mas o governo não vem para a rua dizer: “é verdade somos uns gatunos”.

Um dos pontos mais sublinhados na campanha da Frelimo foi a questão da corrupção generalizada e a necessidade de instaurar um estado de direito. a corrupção é o cancro da sociedade moçambicana. Não é possível fazer nada sem “tirar dinheiro”, como dizem por aqui.

Quem vai ao hospital tem de dar alguma coisa a os enfermeiros por que passa, caso contrário cai numa espera que não tem fim. O mesmo sucede em todas ou quase todas as instituições do governo. é necessário lubrificar os mecanismos com o dinheirinho, caso contrário a máquina encrava. Toda a gente sabe de quem são as melhores casas do nosso bairro: de um polícia de trânsito ou das alfândegas.

a terceira promessa refere-se à morosidade dos processos nas instituições do governo. O novo presidente e o governo querem acelerar as práticas nas repartições públicas. Para isso será necessário afastar funcionários incompetentes e corruptos, combater a mentalidade do “deixa andar” e implementar uma nova mentalidade. O senhor presidente Guebuza, nas suas visitas, afirma que o funcionário do estado existe para ajudar e facilitar a vida dos cidadãos. actualmente, uma das frases mais ouvidas nas repartições públicas é o “volte amanhã”. até ao infinito.

Espera-se que o novo presidente seja na verdade um político. aquele que conhece a arte do viver na cidade. E não um “burlí­tico”. aquele que pactua com a arte da burla. Infelizmente, os moçambicanos já estão muito habituados a estes políticos.

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