Balanço de 18 anos: Serafim Ferreira e Silva, bispo de Leiria-Fátima, em entrevista exclusiva à Fátima Missionária.
Balanço de 18 anos: Serafim Ferreira e Silva, bispo de Leiria-Fátima, em entrevista exclusiva à Fátima Missionária. Está na diocese deste 1987. Primeiro como bispo coadjutor e, desde 1993, como bispo residencial, sucedendo a alberto Cosme de amaral.
Defende que Fátima possui um aR muito especial e diz não estar arrependido de ter recebido Dalai Lama ou o grupo de hindus no Santuário. Fala ainda da nova basílica de Fátima, a inaugurar em 2007.

FíTIM a MSSIONíRIa: Peço-lhe um quadro sobre Fátima quando chegou à diocese e Fátima hoje.

SERaFIM FERREIR a SILVa: a primeira vez que vim a Fátima foi em 1947. Depois disso, já vim centenas, porventura milhares de vezes. Fátima é sempre um santuário, um desafio. é um ponto de referência, um pólo de espiritualidade. Desde que resido nesta área de Leiria-Fátima, a partir de 1987, pude ver e aplaudir a inauguração da auto-estrada, o início das obras para a igreja da Santíssima Trindade, uma planificação da área pedonal; pela negativa, pude ver as agressões dos carteiristas, pude ver tantas outras coisas.

a aposta dos responsáveis foi sobretudo aquilo que eu costumo chamar o aR de Fátima. é uma sigla que significa acolhimento e recolhimento. Temos investido mais para que todas as pessoas sejam bem acolhidas. Seja na restauração, seja na hotelaria, seja na celebração litúrgica, seja no confessionário, seja na adoração eucarística. Tenha fé, não tenha fé, venha mesmo com roupa de praia, temos procurado acolher bem. Tendo em conta o aspecto pedagógico, o aspecto educativo, o aspecto relacional, sem fechar os olhos, mas sobretudo abrindo a boca e falando ao coração, ao bom senso.

Podemos ser acusados de ter recebido o Dalai Lama, ou os hindus. Não estamos arrependidos com este sentido de abrir as portas. Não somos donos de nada.

Quanto ao recolhimento, é uma aposta no silêncio. aposta num tempo de cada um poder cantar com a comunidade, ou poder recolher-se sozinho, dentro de si.

é o jogo destas duas coordenadas: acolher bem sob todos os aspectos e proporcionar o silêncio. Que um peão possa caminhar bem desde o pólo da Cova da Iria até ao pólo de aljustrel. Isso ainda não está tudo conseguido. Espero que muito em breve um peregrino possa viajar desde a Cova da Iria até aos Valinhos sem a agressão dos automóveis ou dos ruí­dos ou das poluições. é um projecto. Não se pode carregar no botão e fazer logo tudo. Paulatinamente.

Entendo que desde há duas dezenas de anos, o santuário de Fátima fez uma aposta na clareza:
1. º Publicou todos os documentos, a documentação crí­tica de Fátima. Era uma interrogação, muita gente dizia «estão a ocultar»… . Toda a documentação crí­tica, cientificamente bem organizada, foi publicada.

2. º O chamado terceiro segredo, ou a terceira parte do segredo de Fátima foi publicada. Se levava a ambiguidades, a explorações, a invenções desnecessárias, piublicou-se. a terceira vidente que faria 98 anos a 13 de Março – faria e faz ” disse o que viu. Não ocultou. Entregou uma narrativa de uma visão que teve, mas que ela não soube explicar, entregou à hierarquia. Finalmente isso foi publicado.

3. º No Capítulo de ordem económica, todo o pessoal que trabalha no santuário – são cerca de 180 trabalhadores, assalariados – sabe qual é o estatuto económico de cada um. Dentro deste pacote grande da contabilidade, foi feita uma auditoria às contas do santuário, são apresentadas contas aos peregrinos.

Temos apostado o mais possível na clareza. Julgo que o acolher, a seriedade, inclusive o projecto de obras para um espaço coberto, que agora se chama igreja da Santíssima Trindade, tudo isso foi, durante muitos anos, muito bem pensado.

Houve um júri, houve a recolha de projectos, houve ideias e, finalmente, houve um concurso. Um projecto venceu. Por acaso o arquitecto até é grego. Foram corrigidas algumas das suas sugestões e a obra está em curso.

Ninguém vai ser proibido de entrar. Simbolicamente vai ter treze portas. Uma porta ampla, tripla, que é significativa da Trindade. Mais 12 portas, para significar as tribos, os apóstolos, as portas do grande templo. é um número simbólico.

Uma coisa é certa: as portas abrem para dentro e para fora, mas não se vão fechar a quem queira entrar sinceramente. Mesmo a título de curiosidade, se houver sinceridade, toda a gente pode entrar. Se houver um gatuno que queira perturbar, ou invadir o bolso alheio, então esse vamos impedir. Uma coisa é sermos acolhedores, outra coisa é sermos palermas. Vamos procurar ser acolhedores, mas com a seriedade de uma cidadania progressiva. Noto diferenças para melhor.

FM: a construção da nova basílica é um projecto que tem acarinhado…

SFS: a iniciativa não foi minha. Já encontrei um projecto a nascer. Tenho a obrigação de ser sério comigo mesmo. Convenci-me e com toda a seriedade tenho apoiado. Devo dizer que não foi iniciativa minha. Podia até dar prioridade a outras actividades mais de carácter pastoral, cultural, coisas mais pequenas. Estou cem por cento a favor desta construção, que pode ser discutí­vel e é; pode ser polémica e é. Mas vai ser um bom serviço e espero. Já disse a São Pedro que me deixe vir, mesmo com canadianas, no dia 13 de Maio de 2007, assistir à inauguração, que o meu sucessor, com certeza, vai abençoar.

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