Patriarca de Lisboa assinala que «há desempregados, famílias em dificuldade, há mais pobreza, mais sofrimento, há crise de esperança» e propõe «nova etapa de civilização»
Patriarca de Lisboa assinala que «há desempregados, famílias em dificuldade, há mais pobreza, mais sofrimento, há crise de esperança» e propõe «nova etapa de civilização»Na noite de Consoada, José Policarpo convidou os portugueses a inverterem a questão, no que diz respeito à crise. «Em vez de nos perguntarmos como é possível celebrar a alegria do Natal, mergulhados neste sofrimento colectivo, procuremos descobrir em que medida é que o Natal, a festa do Deus connosco, nos pode ajudar a viver positivamente este momento.
Num «tempo de crise em que o Natal é vivido, o cardeal considera que «um dos frutos do presente sofrimento colectivo pode ser levar a sociedade a abrir-se a uma nova etapa da civilização. Uma mudança que leve a dar «maior prioridade à pessoa, uma ordem económica que acentue o bem comum, vença os individualismos, as desigualdades chocantes, todas as formas de materialismo; que aprenda a dar prioridade aos valores do espírito e não apenas ao dinheiro.
Na mensagem que foi transmitida pela televisão e rádio, o patriarca desafia os fiéis a «olhar para o nosso vizinho que sofre, como o nosso próximo. Este próximo «não é apenas aquele com quem me cruzo, mesmo tomando consciência do seu problema, mas aquele cujo sofrimento me tocou o coração e me desafia a amá-lo como um irmão. a realidade da vida pode ser vivida «nessa proximidade de Deus, que transforma e dá sentido novo a toda a aventura humana, realçou.
José Policarpo afirma que «não nos basta fazermos análises claras da crise que atravessamos, temos de estar atentos e deixar que o sofrimento dos outros nos toque o coração. a situação de sofrimento gera «comunhão e «ajuda à vitória sobre os individualismos, é semente de transformação da sociedade porque «quando o sofrimento dos outros nos toca o coração, tornamo-nos inventivos na busca de ajuda.
E se nesta noite de Natal, Jesus falasse, o que diria? a partir do sermão da Montanha que citou, o patriarca de Lisboa espera que «a aflição, o nosso grito de equidade e de justiça, não nos impeça de procurar sempre, nas novas circunstâncias, a paz, isto é, a harmonia social. Esta pode ser a «atitude decisiva para vencermos a crise. Ciente das dificuldades que muitos estão a sentir, José Policarpo desejou com «fé e amor, a alegria do Natal aos portugueses.