Um agente morto e uma jornalista ferida pelo “fogo amigo”… Questões que se levantam à volta do processo que está a ser conduzido no Iraque. Está mesmo a lutar-se pela paz?

Um agente morto e uma jornalista ferida pelo “fogo amigo”… Questões que se levantam à volta do processo que está a ser conduzido no Iraque. Está mesmo a lutar-se pela paz?
a decisão de invadir o Iraque foi polémica, assim como a questão do futuro do país. Depois das eleições, a situação não mudou. Continuam os ataques e a acção internacional ainda não conduziu a resultados satisfatórios.

O caso da jornalista italiana, Juliana Sgrena, levanta questões sérias, quanto às forças de segurança estrangeiras presentes no terreno. Depois de negociações, conduzidas pelos serviços secretos italianos, que resultaram na sua libertação, o carro em que seguia foi alvejado a partir de um veículo militar norte-americano. O entusiasmo da libertação diluiu-se com a morte dum agente italiano e o ferimento da própria jornalista.

Bryan Whitman, membro do Pentágono, afirmou que os disparos foram acidentais. No entanto não é credí­vel que se façam uns 300 disparos acidentalmente… a imprensa internacional fala de tensões entre Roma e Washington.

Pier Scolari, o companheiro de Sgrena, acusa os Estados Unidos de terem atacado deliberadamente o carro, fazendo denúncias muito graves. “Juliana estava na posse de informação e os militares norte-americanos não a queriam viva”, disse Scolari. “Uma de duas coisas: ou as armas estão nas mãos de adolescentes aterrorizados e pouco preparados, ou ” continua Scolari ” foi uma emboscada e, de acordo com os factos revelados, esta possibilidade não se pode excluir”.

Segundo Scolari, tanto os americanos como os italianos tinham sido avisados da passagem do carro que transportava a jornalista. Um inspector de saúde iraquiano terá levantado a suspeita de armas quí­micas usadas pelas forças norte-americanas em Fallujah, suspeitas estas ainda não confirmadas. Sgrena foi raptada ao sair de uma mesquita de Bagdade, depois de entrevistar refugiados de Fallujah.

Falar de acidente não faz sentido nenhum. O carro foi alvejado apenas a 700 metros do aeroporto, quando já tinha passado os postos de controlo.

Pede-se agora uma investigação profunda de tudo o que aconteceu. a própria organização de defesa da liberdade de imprensa, Reporters sans Frontií¨res (RSF) pediu às Nações Unidas a investigação do caso. “O inquérito não pode ser conduzido apenas pelo exército norte-americano, que no passado, especialmente no caso dos disparos no Hotel Palestine, onde perderam a vida dois jornalistas, demonstrou a tendência para desculpar os militares”, afirmou o secretário da RSF.

São questões importantes às quais é necessário dar resposta. Estão em causa personagens internacionais. Não podemos, porém, deixar de pensar na situação real de milhões de iraquianos. O terrorismo não se combate com terrorismo; a violência gera violência. Os interesses no Iraque são muitos e importantes. E não são claros.

a investigação de um caso tão infeliz poderá levar a uma maior consciência e informação real do que se está a passar no Iraque. ao não querer assinar os acordos internacionais que vigiam e julgam os crimes contra a humanidade, os Estados Unidos ficam sempre numa posição suspeita.

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