indígenas do norte do Cauca, na Colômbia, região onde trabalham os missionários da Consolata, mobilizam-se para discutir o Tratado de Livre Comércio.
indígenas do norte do Cauca, na Colômbia, região onde trabalham os missionários da Consolata, mobilizam-se para discutir o Tratado de Livre Comércio. No Município de Jambaló, no norte do Cauca, Colômbia, 36 povoações, com grande presença de indígenas, estão em assembleia permanente, para preparar a consulta popular ao Tratado de Livre Comércio (TLC).

“Enquanto dormimos, o monstro vai pisar-nos, devemos estar atentos e informados sobre o que está a suceder”, repetem com frequência os líderes indígenas, enquanto preparam a consulta de 6 de Março. Os encontros também se realizam nos Municípios de Toribí­o, Sí­lvia, Inzá e Caldono.

O TLC está a ser impulsionado pelos Estados Unidos (EUa) e pretende, como o nome diz, abrir as portas do comércio entre os países americanos. Trata-se de um presente envenenado. Na Comunidade Europeia, onde as diferenças entre os países são muito mais pequenas, os efeitos do livre comércio podem causar uma concorrência que deixa os produtos nacionais desprotegidos. a titulo de exemplo: a diferença, em termos de economia na Europa, é de 1 para 8 (entre o país mais forte e o mais pequeno). Na américa essa diferença é de 1 para 38.

Destinado a cobrir todo o continente americano, o tratado teve, devido a diversas dificuldades, de ser negociado unilateralmente pelos EU a apenas com alguns países. Entre estes, a Colômbia que experimenta uma forte dependência a nível militar e económico.

a mudança da estratégia de negociação deu-se pela grande resistência de países como o Brasil, que vêem no TLC um cavalo de Tróia: os EU a abrem os seus mercados, mas passam a poder inundar os outros países com os seus produtos, com um preço mais competitivo e uma máquina produtiva maior. O risco é que estes países sejam subjugados e controlados economicamente por um país mais forte.

O TLC está em rota de colisão com o projecto Mercosur, um tratado de comércio entre os países da américa Latina, que, a longo prazo, poderia permitir uma maior competitividade com o espaço internacional. Realizar o TLC, mesmo que seja apenas com alguns países, inviabiliza o projecto Mercosur.

Muitas organizações estão contra o TLC, afirmando a identidade nacional e lutando por uma maior autonomia da região, onde a interferência dos EU a é já muito forte e nem sempre positiva.

a braços com um conflito interno alimentado pelo tráfico de droga, a Colômbia fica numa posição delicada, pois os EU a são um grande aliado nesta luta.

a curto prazo, o TLC apresenta-se como a melhor alternativa e o governo de Álvaro Uribe parece empenhado em realizá-lo. Quais serão as consequências para o futuro da Colômbia e da região? Os indígenas parecem já ter decidido a sua posição: ” Enquanto dormimos, o monstro vai pisar-nos. Devemos estar atentos e informados sobre o que está a suceder”.

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