Formação para a Pastoral, foi a principal preocupação da IIIº assembleia Nacional de Pastoral de Moçambique que teve lugar em Maputo, de 17 a 23 de Janeiro.
Formação para a Pastoral, foi a principal preocupação da IIIº assembleia Nacional de Pastoral de Moçambique que teve lugar em Maputo, de 17 a 23 de Janeiro. a IIIº assembleia Nacional de Pastoral de Moçambique realizou-se, de 17 a 23 de Janeiro, no seminário filosófico Santo agostinho, da Matola, Maputo.

Foram tratados temas de importância capital para a vida da Igreja em Moçambique. Enunciamos aqui as ideias mais salientes.

1. Formação dos agentes da pastoral a todos os níveis. Notou-se a necessidade de formação permanente, em vista de uma maior preparação dos agentes da pastoral; da expansão dos centros de formação, até mesmo junto das pequenas comunidades; de incutir um profundo Espírito e sentido de serviço; de continuar o trabalho de tradução e adaptação dos textos bí­blicos e litúrgicos; de responsabilizar as pequenas comunidades na promoção, acompanhamento, e apoio material e espiritual às vocações consagradas.

2. as pequenas comunidades cristãs ministeriais. a propaganda ateia e os 16 anos de guerra foram ocasião de um grande momento de escolha, de purificação, de fortificação e do nascimento das pequenas comunidades. Nos últimos anos nota-se um abaixamento e um certo apagamento da atitude profética. assim exige-se uma cuidadosa selecção dos líderes das comunidades para evitar que a liderança seja vista como um exercício de poder.

3. Pastoral litúrgica. a liturgia é o cume para onde convergem a vivência e acção da Igreja. é a fonte de onde brota a força que anima a vida da Igreja. é a maneira como esta se relaciona no seu todo com Deus. é necessária uma catequese aprofundada dos animadores da liturgia, para se evitarem improvisações no canto, dança e outras iniciativas de inculturação.

4. Pastoral da família. Reafirmou-se que as origens da família se encontram em Deus (cfr. Gn 2); que a comunhão trinitária serve de modelo à família humana; que o sacramento do Matrimónio tem em Deus, vivo e fiel, a sua fonte, fundamento e garantia. a Palavra de Deus deve ser a base da edificação da família cristã. é indispensável uma boa preparação para o sacramento do Matrimónio. Para tanto é necessário criar equipas para a formação dos jovens e dos noivos, que dêem prioridade à inculturação da vivência matrimonial e familiar de modo a superar o vazio cultural e ético. é necessário promover a educação para o diálogo dentro da família, e o hábito da oração e da leitura da Bíblia.

5. autonomia económica da Igreja local. Notou-se que as paróquias e as dioceses estão bem longe de dispor dos meios materiais e financeiros suficientes para a evangelização. afirmou-se que é urgente que as Igrejas particulares de África cheguem a prover às suas necessidades, embora não tenham sido indicados caminhos e propostas.

6. Inculturação. Mais do que palavras e discursos, a inculturação tem a ver com a vivência, agir e atitudes existenciais no aqui e agora em ordem a exprimir e viver a fé: a língua, os símbolos, os gestos e até as maneiras de conceber as estruturas e as instituições. a inculturação deve tornar o Evangelho acessível ao povo e permitir o enriquecimento mútuo entre o cristianismo e a cultura local autêntica. Temas centrais são o matrimónio, os ritos de iniciação e o mundo dos Espíritos. Especial atenção deve ser dada ao perigo de sincretismo.

7. Pastoral da juventude. a juventude é motivo de alegria e esperança devido ao seu empenhamento activo nas responsabilidades e tarefas,tanto na Igreja e como na sociedade. Há no entanto sombras e inquietações. a grande maioria dos jovens encontra-se ameaçada, devido à sua vulnerabilidade e exposição a tantos riscos: droga, alcoolismo, sexo livre, criminalidade e a SIDa. Por vezes nota-se uma fraca convicção religiosa em algumas faixas da juventude. é necessário implementar uma pastoral juvenil que vá ao encontro dos jovens nas suas diversas áreas e situações, promovendo a formação aos valores humanos, tradicionais e cristãos.

a assembleia pastoral foi ainda ocasião para tratar alguns temas intercalares.

1.  a intervenção do núncio apostólico, George Panikulam, sob o título “algumas considerações bí­blicas sobre a pastoral”, tratou o tema do povo como rebanho de Israel, na sua origem e desenvolvimento.

2. Reflexões sobre a SIDa. O padre Fancisco Cunlele apresentou uma visão geral da doutrina moral da Igreja sobre este tema. Frisou sobretudo a necessidade de uma autocondução regida por princípios. apresentou a castidade e a fidelidade conjugal, como meios únicos para evitar contrair a doença.

3.  a problemática dos seminários foi apresentada pelo padre Rafael Sapato, reitor do seminário teológico São Pio X. Tocou temas como a responsabilidade dos cristãos na formação dos seminaristas, a necessidade das comunidades comparticiparem com económicamente na formação do clero e o dever dos institutos religiosos de disponibilizarem pessoal para a formação do clero diocesano.

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