Colômbia, um país em guerra onde há “comunidades de paz”. Gloria Cuartas denuncia a morte de civis por parte de militares colombianos, um atentado contra uma “comunidade de paz”.
Colômbia, um país em guerra onde há “comunidades de paz”. Gloria Cuartas denuncia a morte de civis por parte de militares colombianos, um atentado contra uma “comunidade de paz”. a activista dos direitos humanos, Gloria Cuartas, acusou o exército do massacre de sete civis da “comunidade de paz” de São José de apartado, entre os dias 21 e 22 de Fevereiro.

Em conferência de imprensa, Gloria Cuartas, que já foi presidente da câmara de apartado, declarou que os assassínios foram executados “pelo batalhão 33 da XVII Brigada do Exército”, na região bananeira do Urabá, na Colômbia.

O ministro da Defesa já desmentiu, afirmando que a força pública está serena, pois não cometeu tal crime. Para esclarecer o que aconteceu, o ministro ofereceu a colaboração necessária.

Um inquérito aprofundado dos acontecimentos foi já pedido pelo alto Comissariado Colombiano das Nações Unidas para os direitos humanos.

as vítimas, entre as quais se encontrava o dirigente comunitário Eduardo Guerra e três menores, faziam parte da “Comunidade de Paz”, de San José de apartado, constituída por um milhar de pessoas. Em Março de 1997, a comunidade declarou-se neutral no conflito interno, que há, mais de 40 anos, continua a derramar sangue na Colômbia.

Há já no país várias “comunidades de paz”. Não usam armas e não colaboram com qualquer dos grupos armados, incluindo o exército. apoiar o exército seria já marcar uma posição no conflito. Estas comunidades reclamam o direito a não participar num conflito que eles nunca escolheram.

a “comunidade de paz” de São José de apartado tinha direito, segundo uma decisão da Corte Inter-americana dos Direitos Humanos, a uma protecção especial por parte das forças armadas. a localização estratégica da zona exigia esta atenção especial, pois é essencial para o contrabando de armas e droga com a américa Central. De facto, nos anos 90, foi palco de uma disputa feroz entre os paramilitares e a guerrilha pelo seu controle.

O Urabá é uma zona importante no presente processo de diálogo, pois, em Novembro passado, 500 paramilitares deixaram as armas no âmbito das negociações de paz com o governo, iniciadas há dois anos.

Num país, onde a vida tem vindo a perder valor e já nem se quer ouvir falar de mortes, estas denúncias públicas, sempre feitas com risco pessoal, são importantes. Há abusos de todos os lados, mas também esforços sinceros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *