Estou convencido de que a dimensão missionária é a chave de leitura do fenómeno que representam as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ)
Estou convencido de que a dimensão missionária é a chave de leitura do fenómeno que representam as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ)Elas não são um grande woodstock católico, mas uma verdadeira experiência de anúncio de Jesus Cristo aos crentes e aos não crentes. Ninguém duvida da paixão missionária de João Paulo II – que percorreu o globo de lés-a-lés e que levou como mágoa as visitas impossíveis à Rússia e à China. a criação das JMJ foi mais um capítulo desse ardor que, um dia, o levou a escrever que a missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento. No termo do segundo milénio, após a sua vinda [de Cristo], uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço (Redemptoris Missio, 1).com todas as forças e com toda a originalidade, e uma e outra – força e originalidade – são apanágio da juventude. Identificados os elementos e os construtores de uma tão grande obra – a Missão – como não dar-lhes todo o fôlego possível? a escolha de Madrid como cidade e Igreja anfitriã deste magno evento não é casual, antes pelo contrário, é deveras eloquente. Uma das metrópoles mais simbólicas e capital de um país mergulhado numa onda de laicismo e de anti-cristianismo, torna-se autora e destinatária de cinco dias intensos de evangelização para e com jovens de todo o mundo, e centro da Igreja, Roma transportada para aí onde está e estará o Papa. a Espanha é o primeiro país a organizar pela segunda vez a JMJ. Em 1989, foi em Santiago de Compostela, curiosamente também com antónio Rouco, como arcebispo anfitrião; em 1985, em Roma, ainda não foi bem uma jornada como ocorreu depois novamente em 2000. É também o único país, até hoje, que assim recebe por três vezes a visita de Bento XVI. O Papa espera que esta seja para a Espanha – que tantos e tão grandes missionários e santos deu à Igreja – e, através dela, para a Europa e para todo o mundo, uma bela página da história do anúncio do Evangelho, que traga renovados frutos de fé e santidade. a confirmar este objectivo missionário, temos o primeiro parágrafo da Mensagem de Bento XVI para a XXVI Jornada Mundial da Juventude, onde podemos ler: Gostaria que todos os jovens, quer os que partilham a nossa fé em Jesus Cristo, quer todos os que hesitam, que estão na dúvida ou não crêem n’Ele, possam viver esta experiência, que pode ser decisiva para a vida: a experiência do Senhor Jesus ressuscitado e vivo e do seu amor por todos nós. Creio, porém, não interpretar mal o sentir da Igreja sobre as Jornadas se disser que elas não valem por si, nem pelos cinco dias de encontro, mas pelos antecedentes e pelas consequências. a caminhada feita e o trabalho desenvolvido até este momento pelas dioceses, congregações e movimentos são os que tornam frutuosos os dias do Encontro em oração, convívio, testemunho e conversão. E o esforço após as Jornadas de continuar a levar os jovens a Jesus Cristo, de os envolver no anúncio e de os tornar não apenas destinatários, mas autores da pastoral juvenil em Portugal, será isso a marcar o verdadeiro fruto das Jornadas. De 16 a 21 de agosto, em Madrid, colocaremos a cereja em cima do bolo e cortaremos a fita de uma nova e contínua corrida no serviço e amor a Jesus e à Igreja. O lema foi dado pelo Papa, recorrendo a Cl 2,7. E é tanto uma realidade já viva desde o baptismo como um projecto: Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé.