Frí¨re Roger, de Taizé, Lisboa, sexta-feira à noite 31 de Dezembro de 2004.
Rezamos em comunhão com as vítimas do desastre Ásia. Espírito Santo, consola os povos da Ásia neste tempo de grande provação
Frí¨re Roger, de Taizé, Lisboa, sexta-feira à noite 31 de Dezembro de 2004.
Rezamos em comunhão com as vítimas do desastre Ásia. Espírito Santo, consola os povos da Ásia neste tempo de grande provaçãoPara avançar no caminho do Evangelho, gostaríamos de voltar sempre de novo a realidades simples. Uma delas é esta: Deus é comunhão e pelo seu Cristo oferece a todos a comunhão.

Mas eis que, na história, multidões de cristãos descobriram-se separados, muitas vezes sem saber porquê. Velhas rupturas, mas também rupturas novas, vêm abalar a comunhão recíproca.

Os cristãos rezam todos a um mesmo Deus de amor; por que razão gastam por vezes tantas energias opondo-se uns aos outros? Esta questão, coloquei-a a mim próprio desde a juventude.

Na minha infância, a minha mãe reunia-nos por vezes, sete irmãs e eu o mais novo, para ler textos em voz alta. Entre essas leituras, havia a história de uma comunidade de mulheres que viveu há já muito tempo e que pouco a pouco se foi tornando um lugar de grande irradiação.

Cativava-me descobrir a vida destas mulheres. Quando tinha talvez dezasseis anos, um dia disse para mim mesmo: «Se estas poucas mulheres, vivendo juntas e oferecendo a sua vida a Deus, puderam realizar tanto, será que alguns homens reunidos em comunidade não poderiam fazer o mesmo?».

E cheguei ao ponto de me dizer: tenta o impossível para que seja criada uma comunidade de homens na qual se procurará viver em comunhão, na bondade e no perdão. Foi assim que começou a comunidade de Taizé.

Hoje em dia, as divisões entre cristãos, antigas mas também novas, levantam uma interrogação mais premente do que nunca. Já não é possível adiar indefinidamente a comunhão entre os cristãos. Se todos pudessem deixar crescer no seu coração um desejo ardente de vida em comunhão…

Então poderemos discernir a seguinte realidade: toda a reconciliação, mesmo a mais simples, traz alegria. E compreendemos que Deus nos chama não a fazer grandes discursos, mas a viver gestos simples e concretos de paz e comunhão com aqueles que estão à nossa volta.

Compreendermo-nos, perdoarmo-nos, reconciliarmo-nos: eis um dos apelos mais essenciais do Evangelho.
Sabê-lo-emos? a comunhão entre cristãos pode contribuir para a construção da paz onde ela é ameaçada pelos conflitos e violências. a paz mundial é tão urgente para que se possam aliviar sofrimentos, e em particular para que as crianças que nascem não conheçam a angústia e a insegurança.

Procurar reconciliação e paz supõe travar uma luta interior. Não é um caminho fácil. Nada de duradouro se constrói na facilidade. O Espírito de comunhão não é ingénuo, alarga o coração, é bondade profunda, não dá ouvidos à suspeita.

Para sermos portadores de comunhão será que avançaremos na nossa vida no caminho da confiança e de uma bondade sempre renovada?

Neste caminho haverá por vezes fracassos. Lembremo-nos então de que a fonte da paz e da comunhão é Deus. Em vez de desanimarmos, invocaremos o Espírito Santo sobre as nossas fragilidades.
E, ao longo da nossa vida, o Espírito Santo há-de ajudar-nos a retomar a caminhada e a ir, de começo em começo, para um futuro de paz.

Um irmão: Nesta noite saudamos os jovens da íustria, Bélgica, Grã-Bretanha, Irlanda, Luxemburgo, Holanda, Suiça, França, alemanha e Portugal.
Também saudamos os jovens da argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Guatemala, Haiti, México, República Dominicana, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, austrália, Canadá e Estados-Unidos.
Queremos expressar o nosso reconhecimento a todas as famílias das dioceses de Lisboa, Setúbal e Santarém que tão bem nos acolheram.
a oração vai continuar com o canto. Depois, cada um vai poder colocar a cabeça na cruz para confiar a Deus os seus próprios fardos e os dos outros.

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