“Eu sou a videira verdadeira, vós os ramos. Se permanecerdes em mim, dareis muito fruto. a glória do meu Pai é que deis muito fruto, e sereis meus discípulos “. (João 15, 1. 4. 8)
“Eu sou a videira verdadeira, vós os ramos. Se permanecerdes em mim, dareis muito fruto. a glória do meu Pai é que deis muito fruto, e sereis meus discípulos “. (João 15, 1. 4. 8)Que maravilha viajar pelos campos cultivados da nossa terra nesta quadra do ano! Tudo rejuvenesce, tudo se desenvolve, tudo pulula de vida. Especialmente aquela cultivação que sempre cativou o coração do agricultor português: a vinha. Não há dúvida que a vinha recebe os cuidados mais esmerados da nossa gente. Lá estão elas, as alas das videiras, as cepas situadas à mesma distância uma da outra, as estacas a pouco espaço umas das outras para segurar o arame que corre dum extremo ao outro da fileira, o arame sobre o qual correrão os sarmentos das videiras.
Um trabalho feito com todo o esmero que mostra a estima que tem a nossa gente pela vinha. Um dos trabalhos que tem de ser feito com toda a perfeição é a poda, o corte dos ramos velhos que só beberiam a maior parte da seiva da videira sem produzirem coisa alguma de valor. Importa também de vez em quando limpar o tronco, tirar-lhe a casquilha que cobre a cepa e em que se escondem insectos parasitas perniciosos. Cava-se à volta das cepas para arrancar as ervas daninhas e remexer a terra que fica assim mais mole para as raízes poderem chupar o melhor da terra.
Vem o tempo bom da primavera e começam a crescer os ramos novos, a estenderem-se pelos arames além. Depressa nascem e começam a crescer os cachos que presto se tornam em seios úberes plenos de líquido saboroso e doce, donde será tirado o vinho que alegra o coração dos seres humanos e tornará mais felizes as festas e as romarias e outras ocasiões de alegria. Chega depois o São Martinho e o momento da prova.com dois ou três vizinhos talvez, confiante na sua lavra, vai o agricultor à adega e enche um copo do precioso líquido. Levanta-o à altura dos olhos contra a luz para melhor lhe ver a cor, o rúbido transparente que mostra a qualidade da obra. Provam todos, ouvem-se estalidos de línguas. Sim senhores, uma obra-prima! No coração do lavrador, tremula um dos momentos de maior satisfação do ano inteiro.
Mestre agrónomo Supremo, diz-nos Jesus que ele é o agricultor que cuida da saúde produtiva da sua vinha, a vinha do Senhor. Mestre agricultor, faz ele continuamente em cada cepa o seu trabalho de perito da criação inteira: corta a velharia das características agrestes do nosso homem velho. Limpa as carrascas do tecido espiritual apodrecido ou morto nos membros do seu Corpo Místico, a Igreja, carrascas em que medram os insectos da tentação e das tendências más ou menos boas. Coloca as estacas dos dons do seu Espírito que dão solidez ao viver e operar dos seus fiéis. Encaminha pelos arames da justiça e do direito os ramos das virtudes. Cava a terra em volta do núcleo central da nossa adesão à sua Palavra, à oração e ao Sacramento de si próprio, do seu amor e do seu carinho na Eucaristia. arranca as ervas daninhas das faltas e dos pecados que privam as raízes do bem da produtividade.
as cepas-videiras das nossas vinhas são, naturalmente, dóceis ao trabalho paciente do agricultor, mesmo quando sentem os cortes da poda por ele feitos. É aqui que bate o ponto de toda a nossa vida de cepas enxertadas na Cepa do Senhor: docilidade às inspirações do Espírito, mesmo se a sua operação dói. Deixar-se podar, escortaçar mesmo, pelo agricultor divino, operação que só tem a finalidade de nos fazer crescer para nos sentirmos mais realizados na vida para que fomos criados. Nem seremos, cada um, único’, ou só para si’, seremos videiras integradas e activas na grande vinha que é o povo de Deus, solidários com todas as outras cepas que crescem à nossa volta.
Pode acontecer que certos aspectos do trabalho do nosso agricultor, que é Cristo e o seu Espírito, por vezes não sejam lá muito segundo as nossas maneiras de pensar e sentir. Tudo o que Ele faz é bem feito (cf Marcos 7, 37) e é para o nosso crescimento na fé, na esperança, no amor e nas outras capacidades virtuosas que já no Baptismo a sua providência abundante colocou em nós: capital que pode produzir frutos mesmo de cem por um.
a vinha de Cristo, a cepa predilecta de Deus, é o povo do Senhor (cf Isaías 5,7; Jeremias 2, 21). É o rebanho das ovelhas do Senhor juntas no mesmo redil pela voz e o alimento que ele abundantemente nos dá na sua Igreja, sua Esposa querida.