Eu sou o Bom Pastor. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas. Conheço-as e elas conhecem-me a mim”, diz-nos o evangelho de São João (10,14. 15)
Eu sou o Bom Pastor. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas. Conheço-as e elas conhecem-me a mim”, diz-nos o evangelho de São João (10,14. 15)Quando eu tinha cinco anos, pôs-me o meu pai um pau na mão, levou-me ao curral da nossa dúzia de ovelhas e cabras, e disse-me que daí em diante era eu o pastor delas. Especialmente durante o verão, por causa da falta de água, não havia pastagens muito boas. andava eu com elas pelos pinhais, por meio do mato, onde havia moita, tojos, e alguma erva.
O maior problema era a Rabuda, uma ovelha de rabo comprido e mafarrico todinho no corpo. Em chegando ao cimo de uma colina, no fundo da qual havia umas hortazitas de couves, feijões, batatas e semelhantes, pertencentes a vizinhos nossos, a Rabuda disparava numa correria louca para as hortas, levando o rebanho todo atrás ela. E à noite, lá estava eu a tremer entre a verdasca da mãe e a biqueira da bota do pai.
Ora, um dia que o rebanho já estava todo na horta e eu no meio da colina ali perto a chorar, agarrei num seixo e atirei-o pelos ares para o meio da horta. Quis o destino que a pedra caisse em cima da cabeça da Rabuda que espirrou o seu último suspiro lá no meio dos feijões. Dado que a família toda conhecia as travessuras da Rabuda, o meu pai nem sequer me ralhou: foi buscá-la à horta e tivémos uns jantares bem melhorados por uns dias.
Na verdade, eu nunca fui um pastor de jeito. até só conhecia o nome de três ou quatro ovelhas e cabras. Do que eu gostava muito, era de trazer ao colo para casa os cordeirinhos ou os cabritinhos que, às vezes, nasciam por aqueles vales ou colinas além.
O nosso verdadeiro Bom Pastor é Jesus, tão amante das suas ovelhas que, além da sua Palavra, lhes deu a sua própria carne e o seu sangue como alimento e bebida. Deu-lhes a sua própria vida para que elas vivessem para sempre com Ele. Nem há, fora d’Ele, quem quer que seja cujo nome nos possa salvar.
a imagem de Jesus Bom Pastor é a mais antiga e mais comum da arte cristã primitiva, e aparece muitas vezes nas catacumbas romanas, especialmente em São Calisto e Santa Priscila. Um pastor que não veio para dividir as multidões, como fizeram e fazem tantos líderes. Veio para reunir todas as raças e indivíduos numa única família. Uma família que sempre faz memória de como o seu Pastor reuniu todos os seus membros: oferecendo a sua vida no suplício da cruz, e ressuscitando para uma vida nova que continuamente com eles partilha na sua Igreja.
Quer dizer, o Bom Pastor é para nós como que a causa e o resultado do mistério pascal operador da salvação. a minha vida, disse Ele, ninguém me a tira, ofereço-a voluntariamente (Jo 10,17). a única causa para a existência dum pastor é a vida, o bem-estar e a felicidade das suas ovelhas. O Filho Unigénito de Deus veio ao mundo por isso mesmo. O ofício do Bom Pastor é o amor, a caridade, diz São Tomás de aquino. O Pai ama o Filho com um amor infinito, o Filho por sua vez dá este amor infinito às suas ovelhas, a todos os que a Ele se juntam na prática da Verdade. O Bom Pastor guia-nos. a nós cumpre segui-l’O, escutando sempre a sua voz e pondo em prática o que Ele nos diz.
ao Bom Pastor da caridade e do amor recomendamos todas as Mães da terra. Elas são mães da vida que Deus criou. Para elas vai o nosso agradecimento e a nossa oração. E ao Bom Pastor pedimos penhoradamente que mande cada vez mais pastores, bons e generosos, para serem seus associados na condução das suas ovelhas às pastagens da salvação.