Os países desenvolvidos deverão continuar a apoiar o continente africano. O objectivo é minorar os efeitos da actual crise económica global, defenderam especialistas ligados à cooperação
Os países desenvolvidos deverão continuar a apoiar o continente africano. O objectivo é minorar os efeitos da actual crise económica global, defenderam especialistas ligados à cooperação a crise atinge sobretudo os países pobres. Então o que temos de fazer não é pensar no que devemos fazer para estimular a nossa economia, mas pôr de pé soluções que respondam a um problema global , defendeu a holandesa Eveline Herfkens. Isso quer dizer que temos de manter os nossos compromissos na ajuda ao desenvolvimento , acrescentou a ex-ministra do Desenvolvimento e fundadora da Campanha do Milénio das Nações Unidas.
Eveline Herfkens disse ser este o momento de a África se unir, de gastar como deve ser o dinheiro disponível. O que estamos a fazer com estes países é um imperativo moral . Isso não é ser simpático e fazer caridade quando os tempos estão bons para nós. Devemos preocupar-nos com o que a crise pode provocar em África , adiantou.
No seminário que decorreu esta terça-feira, em Lisboa, a ex-secretária de Estado do Desenvolvimento Internacional, no governo liderado por Tony Blair, assinalou que a crise continua a exigir uma grande mobilização internacional, um grande esforço internacional, mas em alguns países isso não é suficiente .
Clare Short, citada pela Lusa, alertou para o grande perigo, devido à situação económica. Trata-se da possibilidade dos países do Norte (desenvolvidos) deixarem cair os seus compromissos de ajuda ao Sul (países em desenvolvimento).
Na segunda edição de Os Dias do Desenvolvimento , evento promovido pela Cooperação Portuguesa, Clare Short defendeu a importância de se avaliar como é gasto o dinheiro destinado à ajuda internacional. Não se pode inferir, só porque a verba para a ajuda aumenta, que a pobreza diminui. É preciso saber para onde vai o dinheiro , disse.