Sociedade mais pobre por ignorar a experiência acumulada
Sociedade mais pobre por ignorar a experiência acumuladaas últimas estimativas em relação ás expectativas de esperança de vida no Mundo – relatório produzido pelas Nações Unidas em 2006 -, apontam no sentido de que em Portugal a mesma será para os 78 anos (média total: homens e mulheres), estando o nosso país em 39º , num total de 195 países.
Este documento revela que o país com a percentagem mais elevada é o Japão (82 anos), Espanha está na sexta posição, com 80 anos de média e os últimos lugares são ocupados por países africanos como: angola, Lesoto, Serra Leoa, Zâmbia, Moçambique e Suazilândia, com percentagens entre os 42 e 39 anos, o que poderá explicar muito da carência existente no continente africano.
Mas, o que pretendemos é alertar a sociedade e as pessoas, para o enorme potencial que constitui a experiência de vida dos mais idosos e que não é aproveitada.
Não é por acaso constatarmos que a frequência aos actos religiosos tem uma percentagem muito elevada de pessoas seniores – as explicações para isso são várias – o mesmo acontecendo com a hierarquia e outros que prestam os seus serviços à comunidade eclesial.
Talvez por isso, vozes autorizadas, como por exemplo D. José Policarpo, cardeal de Lisboa, pedem a renovação da Igreja.
Renovação em todas as suas vertentes, dizemos nós, não apenas de mentalidades, mas mesmo de concepções. ainda está longe de concretizada, apesar dos passos dados, a esperança de renovação que o Concílio Vaticano II abriu há 43 anos.
Será bom analisar a valoração da experiência daqueles que, graças à sua vivência, poderão contribuir, em muito, para a sociedade e simultaneamente serem mais úteis para eles próprios.
as carências económicas desta franja de cidadãos poderá ser um obstáculo, pois é premente, agravada muitas vezes pela debilitação física, mas mesmo assim, estamos crentes de que se lhes derem oportunidades não deixarão de aproveitar. a ocupação individual do tempo é muito importante e pelas iniciativas que vão surgindo aqui e além, está provado que a maior parte adere facilmente.
Porque não cativá-las também para o voluntariado ao serviço da Igreja, ou de instituições a ela aderentes?
a vitalidade que porventura lhes possa faltar, não é impeditivo para trabalharem em prole do próximo, até porque isso fá-las sentirem-se úteis e é incentivo para estarem de bem com a vida.
Estão a emergir na sociedade alguns exemplos que visam dar a essas pessoas mais instrução, cultura e até proporcionar lazer. Embora ainda em pequena escala, mas são iniciativas que merecem louvor.
Quer o Estado, quer a sociedade, não têm dado a devida atenção e apoio à terceira idade, é necessário que a Igreja (consagrados ou não) se volte para estes e lhes ofereça as alternativas de que disponha, nem que seja preciso dar passos mais rápidos no acolhimento, evitando descriminações e abrindo o coração, tal como Cristo o fez.