«as opções políticas dos católicos devem ser tomadas de harmonia com os valores do Evangelho, sendo coerentes com a sua fé vivida na comunidade da Igreja, tanto quando elegem como quando são eleitos»
«as opções políticas dos católicos devem ser tomadas de harmonia com os valores do Evangelho, sendo coerentes com a sua fé vivida na comunidade da Igreja, tanto quando elegem como quando são eleitos»Os bispos portugueses defendem que os políticos têm o dever de formular programas eleitorais realistas e exequíveis. O que exige a obrigação de visar o bem comum e o interesse de todos, como finalidade da acção política, propondo aos eleitores candidatos capazes de realizar a sua missão com competência, cultura e vivência cívica, fidelidade e honestidade, sempre mais orientados pelo interesse nacional, que pelo partidário ou pessoal, pode ler-se na Nota pastoral hoje divulgada.
No documento ‘Direito e dever de votar’, os prelados referem que ninguém deve esperar que um programa político seja uma espécie de catecismo do seu credo, mas um modo de compromisso para a solução dos problemas do país. E enumeram alguns critérios importantes para escolher quem possa melhor contribuir para a dignificação da pessoa e a realização do bem comum.
a promoção dos Direitos humanos; a defesa e protecção da instituição familiar, fundada na complementaridade homem mulher; o respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas e a protecção dos mais débeis devem ser factores a ter em conta quando os católicos decidirem em quem votar.
a Nota da Conferência Episcopal Portuguesa aconselha ainda os eleitores a analisarem as propostas que digam respeito à procura de solução para as situações sociais mais graves: direito ao trabalho, protecção dos desempregados, futuro dos jovens, igualdade de direitos e melhor acesso aos mesmos por parte das zonas mais depauperadas do interior, segurança das pessoas e bens, situação dos imigrantes e das minorias.
O combate à corrupção; a atenção às carências no campo da saúde e ao exercício da justiça; o respeito pelo princípio da subsidiariedade e apreço pela iniciativa pessoal e privada e pelo trabalho das instituições emanadas da sociedade civil são outros dos temas a ser analisados antes do acto de voto, aconselham os bispos.
Na mesma nota, sobre os três actos eleitorais que se realizam este ano (eleições europeias,legislativas e autárquicas) é sublinhado que a Igreja não tem nem pretende ter nenhum partido político, mas não esquece o seu papel na defesa da democracia. Esta Nota pastoral é um contributo que estimule o dever de votar e ajude a exercer este direito, em liberdade de consciência esclarecida, acrescentam os bispos.