O carácter e a acção do cristão terão de ser demonstrados nas dificuldades do dia a dia
O carácter e a acção do cristão terão de ser demonstrados nas dificuldades do dia a dia a comunicação social é um meio muito importante na formação das pessoas: tem o seu lado positivo, mas também negativo, quando não utilizado correctamente. Daí decorre a nossa obrigação de uma escolha criteriosa dos meios informativos a que recorremos, sejam a rádio, televisão, imprensa escrita ou on-line. Devemos dar crédito, sobretudo àqueles que pugnam pela verdade e rigor informativo.
Há dias escutava um programa radiofónico e fiquei agradavelmente surpreendido. Era a Rádio SIM, do grupo da Rádio Renascença (RR). Esta estação tem-me surpreendido pela forma positiva como os seus profissionais fazem rádio, na esteira da antiga RR, com rigor, verdade e sobretudo muito desperta para os problemas sociais. Decorria um programa de auscultação dos ouvintes em relação ao apoio social, que algumas autarquias deste país inscreveram nos seus orçamentos para este ano, medidas que consideramos muito oportunas, mesmo que possam ter o seu quê de eleitoralismo.
Os ouvintes foram dando a sua opinião, quase sempre favorável, mas houve um homem aposentado, vivendo com uma reforma razoável, que fez uma proposta bastante simples e séria: declarou-se disponível para dar parte do que auferia mensalmente a uma organização ou instituição, na condição de ser gerida pelo pároco de freguesia. argumentava ele, que os párocos conhecem as situações concretamente e seriam capazes de gerir esse dinheiro de forma irrepreensível, acrescentando ainda que se todas as pessoas de bem e boa vontade, com coração humano e não de pedra seguissem esse exemplo, todos poderíamos contribuir para minorar as carências que tantas famílias e indivíduos atravessam.
Como é evidente, era a opinião e boa vontade daquele cidadão – que não é destituída de razão – mas o locutor lembrou-lhe que já há instituições que trabalham nessa área e mencionou as Misericórdias, como exemplo. De facto, há instituições e várias organizações, nomeadamente de cariz cristão, que congregam os seus esforços no apoio aos mais carenciados. Contudo, a carência social de famílias e indivíduos está a tomar tais proporções que, todos nós, leigos ou consagrados que seguimos o ideal cristão, cometeremos um pecado de omissão grave se não contribuirmos – conforme as possibilidades de cada um – em favor do nosso irmão desfavorecido.
Há tanta miséria encoberta – mesmo ao nosso lado – que poderemos minorar, fazendo-o individualmente ou em grupo (há leigos a trabalhar em instituições dedicadas a esse sector social) doando um pouco do nosso tempo e se possível, dos nossos proventos. Foi Cristo que referiu: Quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, quem tiver o que comer, faça o mesmo, corresponde ás obras de misericórdia que a Igreja lembra a todos nós.