Guadalupe, Lourdes e Fátima representam momentos fulcrais da história, em que Maria visita os seus filhos para os ajudar a encarnar a Palavra eterna do seu Filho
Guadalupe, Lourdes e Fátima representam momentos fulcrais da história, em que Maria visita os seus filhos para os ajudar a encarnar a Palavra eterna do seu FilhoHá tempos, participei, em Fátima, num encontro de sacerdotes e religiosos que encerrou na Capelinha das aparições com uma missa. Fiquei chocado pelo facto do presidente da celebração não ter feito alusão à importância do lugar onde estávamos a celebrar a Eucaristia. Não mencionou, nem sequer, uma só vez Nossa Senhora de Fátima, nem se demorou muito a referir-se aMaria, em geral.
Falando do facto com um colega, este justificou: Sabes, eu também não acredito muito nessas coisas de aparições. Devoto como sempre fui de Nossa Senhora e crente nas suas aparições, veio-me logo à mente a acusação feita ao Papa Paulo VI de ter imposto Fátima à Igreja. Naquele tempo, o Papa defendeu-se, dizendo que não foi ele quem impôs Fátima à Igreja, mas Fátima impôs-se a si mesma.
a todos los tontos se les aparece la virgen
Com este provérbio espanhol em mente, a Igreja está consciente de que muitas aparições não são genuínas. Para as recusar, a Igreja recorre a todo o tipo de investigação científica, tal como à figura do advogado do diabo na beatificação dos santos. Só tira o chapéu e se inclina ante factos genuinamente sobrenaturais.
Contra factos não há argumentos
Um investigador científico desapaixonado e imparcial aplica todos os métodos e instrumentos de investigação científica moderna. Diante das aparições de Guadalupe, Lourdes e Fátima, o cientista não pode não ficar estupefacto face à auréola de mistério e sobrenaturalidade que envolvem tais factos cuja explicação é irredutível à razão e à ciência. Não lhe restam senão duas opções livres, mas sempre de fé: ou deificar a ciência, crendo que no futuro ela há-de explicar o que hoje não pode; ou crer que, por detrás destes factos, está Deus e neste caso que Maria visita realmente o seu povo.
Daqui até ao fim do mundo o céu já não pode dizer nada de novo
a razão pela qual escrevo estas linhas não é repropor as aparições de Maria por virtude do mistério inexplicável que as rodeia, mas reflectir sobre as razões teológicas que as justificam. É claro que nem Guadalupe, nem Lourdes nem Fátima são dogmas de fé. Em Jesus Cristo, Palavra Eterna de Deus feita carne,o céu já disse tudo o que tinha a dizer. Não faz sentido que volte a falar depois de Deus ter enviado o seu único filho. Quando Este regressar, será para julgar os vivos e os mortos.
as visitas de Maria
Explicamos e justificamos que Maria é medianeira e nossa intercessora no Céu com o episódio das bodas de Cana (João 2, 1-11). Ela apresenta as necessidades dos convivas ao seu Filho e, ao mesmo tempo, exorta-os a fazer tudo o que Ele disser. Porque não explicar e justificar as visitas de Maria com o episódio da visita à sua prima Isabel? (Lucas 1, 39-45).
Nas suas visitas à terra, Maria não traz um evangelho novo ou uma mensagem nova. Mas, pelo Espírito Santo de quem ela é Esposa, recorda partes esquecidas da mensagem (Cfr. João 14, 26) do seu Filho e reinterpreta-as no aqui e agora da história dos homens. De facto um dos factores importantes do carácter autêntico e genuíno destas mensagens é a sua concordância com o evangelho.
Maria continua a visitar aqueles de quem ela é mãe em momentos fulcrais da História dos seus filhos, para ajudar a encarnar nesses momentos e lugares a Palavra eterna do seu Filho.
Guadalupe – apoio à evangelização
Como poderiam os indígenas, em 1531, aceitar de bom grado a religião dos conquistadores, exploradores e massacradores espanhóis, se Maria não tivesse aparecido a um indígena? De facto, os indígenas, até àquele tempo reticentes ao cristianismo, converteram-se em massa depois das aparições.
Lourdes – O Céu confirmou
Parte importante da mensagem de Lourdes é a confirmação do Céu, em 1858, do dogma da Imaculada Conceição instituído pelo papa Pio IX, quatro anos antes, em 1854.
Fátima – Penitência e Oração são a solução
Entre duas guerras mundiais, Maria propôs em Fátima a Penitência e a Oração como meios para fazer frente naquele tempo, e ainda hoje, ao comunismo materialista e ateu, assim como ao capitalismo materialista e consumista e portanto não menos ateu.