Dissidentes do Congresso Nacional africano debatem «o estado da democracia na África do Sul», e anunciam a fundação de novo partido em Dezembro
Dissidentes do Congresso Nacional africano debatem «o estado da democracia na África do Sul», e anunciam a fundação de novo partido em DezembroReunidos em convenção nacional em Sandton, a norte de Joanesburgo, ontem, 1 de Novembro, um grupo de dissidentes do Congresso Nacional africano (aNC), anunciou a formação de novo partido, informou a agência Lusa. Depois do anúncio feito pelo ex-chefe do executivo da província de Gauteng, Mbhazima Shilowa, foi lida uma declaração final do encontro. Nela se apela a uma revisão constitucional que garanta a futura eleição do presidente da República pelos eleitores, em vez de o ser pelo Parlamento.
afirmamos inequivocamente que o presidente do nosso país deverá ser directamente eleito pelo povo, lê-se na declaração final divulgada no termo da convenção que deveria ter-se prolongado pelo fim-de-semana. Inesperadamente acabou por ser encurtada. O texto apela à supremacia da Constituição e à coesão social, respeito pelos direitos básicos dos cidadãos, incluindo o de escolherem um partido político livremente, tolerância política e diálogo transparente na sociedade.
aos três líderes que se demitiram do aNC para fomentarem o projecto – Mbhazima Shilowa, Mosiuoa Lekota e Mluleki George – não se juntou qualquer outro dirigente do aNC, como se esperava. Os possíveis aderentes deveriam vir dos dirigentes do partido no poder que abandonaram o executivo, em Setembro, em solidariedade com Thabo Mbeki, quando este foi forçado a abandonar a chefia do estado e do governo pelo seu próprio partido.
Sem mais meia-dúzia de pesos-pesados do aNC nas suas fileiras, a nova formação não parece capaz de enfraquecer mais o partido do poder, como o fez o Movimento Democrático Unido (UDM). Criado por Bantu Holomisa, um general e ex-líder de um bantustão sul-africano expulso do aNC, este partido conquistou 14 assentos parlamentares em 1999, e apenas nove em 2004, ano em que o aNC reforçou a sua maioria parlamentar superior a dois terços na assembleia Nacional e Conselho Nacional das Províncias, a câmara baixa do Parlamento.