O povo do Quénia esperava desde Janeiro por um governo de unidade nacional que pusesse fim às incertezas e aos desacatos dos últimos tempos
O povo do Quénia esperava desde Janeiro por um governo de unidade nacional que pusesse fim às incertezas e aos desacatos dos últimos tempos a 13 de abril, o presidente queniano, Mwai Kibaki, anunciou o novo elenco governamental. E que elenco, meus senhores! Um presidente e um vice-presidente, um primeiro-ministro e dois vice-primeiros-ministros, ladeados por nada menos que quarenta ministros.
Vê-se claramente que o governo e a oposição se viram obrigados a satisfazer a sede de poder de todos os seus grandes apoiantes. Para isso tiveram que recorrer a uma engenharia política que fez nascer ministérios, onde qualquer autoridade coordenadora era suficiente. Temos assim o ministério para o desenvolvimento da cidade de Nairobi, o ministério das cooperativas, o dos animais e o das pescas, para além do ministério da vida selvagem, o da saúde acompanhado pelo dos serviços médicos e assim por diante até chegar a quarenta.
a única maneira para os dois blocos políticos se meterem de acordo foi satisfazer ganâncias individuais. Isto não promete nada de bom. Uma engrenagem tão complicada e tão diversificada dificilmente funcionará e será extremamente dispendiosa para o erário público.
O cidadão que vive abaixo do nível de miséria – e são milhões os que se encontram nessa situação – poderá agora ver passar à porta da sua barraca uma procissão de ministros precedidos e seguidos pela habitual caravana de guarda-costas e secretários. Saberá – se é que ainda o não sabia – onde é que vai parar o dinheiro que, bem usado, lhe proporcionaria um mínimo de dignidade.
Púnhamos de lado as críticas e lamentações. O Quénia tem finalmente um governo de grande coligação. as razões aduzidas por quem fomentou o ódio e a destruição já não existem. Pelo menos esperamos que, se pouco construírem, não acabem por destruir o pouco que nos resta.

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