Foto. EPA / Alessandro Di Meo

O caminho da paz “permanece, infelizmente, arredio da vida real de tantos homens e mulheres e consequentemente da família humana”, lamenta o Papa Francisco na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, que será celebrado no próximo dia 1 de janeiro, e que é intitulada “Diálogo entre gerações, educação e trabalho – Instrumentos para construir uma paz duradoura”.

“Apesar dos múltiplos esforços visando um diálogo construtivo entre as nações, aumenta o ruído ensurdecedor de guerras e conflitos, ao mesmo tempo que ganham espaço doenças de proporções pandémicas, pioram os efeitos das alterações climáticas e da degradação ambiental, agrava-se o drama da fome e da sede e continua a predominar um modelo económico mais baseado no individualismo do que na partilha solidária”, refere o Santo Padre, adiantando que “todos podem colaborar para construir um mundo mais pacífico partindo do próprio coração e das relações em família, passando pela sociedade e o meio ambiente, até chegar às relações entre os povos e entre os Estados”.

Com vista à “construção de uma paz duradoura”, o Papa Francisco propõe o diálogo entre as gerações, a educação e o trabalho. O Sumo Pontífice lamenta o aumento das despesas militares, que “parecem destinadas a crescer de maneira exorbitante”, e afirma que é “urgente que os detentores das responsabilidades governamentais elaborem políticas económicas que prevejam uma inversão na correlação entre os investimentos públicos na educação e os fundos para armamentos”. Segundo o Papa, “a busca de um real processo de desarmamento internacional só pode trazer grandes benefícios ao desenvolvimento dos povos e nações, libertando recursos financeiros para ser utilizados de forma mais apropriada na saúde, na escola, nas infraestruturas, no cuidado do território”. “Faço votos de que o investimento na educação seja acompanhado por um empenho mais consistente na promoção da cultura do cuidado”, refere.

Os efeitos das medidas de contenção da covid-19 continuam bem presentes entre as preocupações do Sumo Pontífice. “A pandemia covid-19 agravou a situação do mundo do trabalho, que já antes se defrontava com variados desafios. Faliram milhões de atividades económicas e produtivas; os trabalhadores precários estão cada vez mais vulneráveis; muitos daqueles que desempenham serviços essenciais são ainda menos visíveis à consciência pública e política; a instrução à distância gerou, em muitos casos, um retrocesso na aprendizagem e nos percursos escolásticos. Além disso, os jovens que assomam ao mercado profissional e os adultos precipitados no desemprego enfrentam hoje perspetivas dramáticas”, aponta.

Na sua mensagem, o Papa Francisco faz ainda referência aos trabalhadores migrantes, que “não são reconhecidos pelas leis nacionais; vivem em condições muito precárias para eles mesmos e suas famílias, expostos a várias formas de escravidão e desprovidos de um sistema de previdência que os proteja”. O Santo Padre alerta ainda para o drama vivido em “muitos países”, em que “crescem a violência e a criminalidade organizada, sufocando a liberdade e a dignidade das pessoas, envenenando a economia e impedindo que se desenvolva o bem comum”. “A resposta a esta situação só pode passar por uma ampliação das oportunidades de trabalho digno. Com efeito o trabalho é a base sobre a qual se há de construir a justiça e a solidariedade em cada comunidade”, indica o Santo Padre.

O Papa Francisco deixa ainda o seu agradecimento a “quantos se empenharam e continuam a dedicar-se, com generosidade e responsabilidade, para garantir a instrução, a segurança e tutela dos direitos, fornecer os cuidados médicos, facilitar o encontro entre familiares e doentes, garantir apoio económico às pessoas necessitadas ou desempregadas”. Aos governantes e a quantos têm responsabilidades políticas e sociais, aos pastores e aos animadores das comunidades eclesiais, bem como a todos os homens e mulheres de boa vontade, o Sumo Pontífice deixa uma mensagem – “Faço apelo para caminharmos, juntos, por estas três estradas: o diálogo entre as gerações, a educação e o trabalho. Com coragem e criatividade. Oxalá sejam cada vez mais numerosas as pessoas que, sem fazer rumor, com humildade e tenacidade, se tornam dia a dia artesãs de paz. E que sempre as preceda e acompanhe a bênção do Deus da paz” – conclui.