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Portugal
Verdade de sonho
Texto Opinião | Teresa Carvalho | 18/08/2019 | 07:11
No seu sonho de fazer de conta, tudo acontecia como ela desejava, e nesses momentos, Joaninha sentia-se feliz. Feliz de verdade!
Joaninha sonhava, sonhava… Sonhava a dormir e sonhava acordada. Talvez por isso frequentemente Joaninha sobressaltava-se com uma voz que lhe lembrava:
– «Joaninha, outra vez de cabeça na lua!?»
E era verdade, mas Joaninha não conseguia evitar. Gostava tanto daqueles sonhos! Até se esquecia de brincar ou de ouvir o que a senhora professora ensinava, e até o que lá em casa lhe diziam ou pediam.
As histórias que ela inventava, até pareciam de verdade. Nelas, Joaninha fazia de conta que não havia gritos nem disputas, nem maldizeres, nem ordens para esquecer aqueles que preenchiam o seu coraçãozinho, nem havia nada que a fizesse sentir-se pequenina, tão pequenina que às vezes lhe apetecia ficar invisível. No seu sonho de fazer de conta, tudo acontecia como ela desejava, e nesses momentos, Joaninha sentia-se feliz. Feliz de verdade!
Em todas as histórias de Joaninha, todos sorriam, havia música e gargalhadas, e ela saltava de abraço em abraço, de braços abertos, sem receio de cair ou de magoar. E aqueles que preenchiam o seu coraçãozinho de menina, estavam todos lá, presentes, leves, livres, sem mágoas ou confusões de entristecer. Era tão aconchegante que às vezes Joaninha até adormecia embalada nas histórias de encantar.
Um dia, «alguém» quis ouvir e perceber por onde andava Joaninha quando estava de «cabeça na lua».
E a petiz não se fez rogada. Contou com pormenor todos os recantos das suas histórias de fazer de conta, enquanto os olhinhos brilhantes contavam como ela era feliz a navegar nesse outro universo onde tinha liberdade de ser e de sentir.
Depois de escutar as histórias de Joaninha, esse «alguém» desafiou a petiz:
– E tu serias capaz de criar essas histórias sem se a «fazer de conta»?
Joaninha ficou espantada. Ainda não sabia que as histórias de fazer de conta também podiam transformar-se em histórias de verdade. Mas, se era possível, ela queria ser tão feliz de verdade como era no «faz de conta»!
Então, esse «alguém» que passou também a saber as histórias de faz de conta de Joaninha, assumiu a responsabilidade de ir ao encontro das pessoas de verdade, nos locais de verdade.
Descobriu que essas pessoas de verdade, também não eram felizes com os gritos, ou com as disputas, nem com maldizeres e proibições. Tinham montado muros de separação feitos de armas apontadas,
que já nem sabiam onde tinham iniciado, e que lhes roubava a tranquilidade e a alegria.
Contou-lhes as histórias de encantar de Joaninha onde tudo parecia fácil. E seria fácil se a quisessem ouvir. Eles até já se tinham esquecido que Joaninha também pensava e sentia e sonhava e desejava.
Como puderam estar tão distraídos?
Estando todos reunidos, e depois de alguns impasses e disputas de poder, em conjunto, criaram um espaço de encontro, englobando todos aqueles que chamavam Joaninha pelo nome, e que ela incluía nas suas histórias de fazer de conta.
Desde então, a vida de Joaninha passou a traduzir de verdade as histórias que eram de faz de conta. Deixou de precisar de ter a «cabeça na lua» para poder ser feliz, só a fingir. Pode agora construir histórias de verdade com todas as pessoas a quem ela pertence e que lhe pertencem de verdade, e que têm sempre reservado para ela um lugar à mesa, com o seu nome bem gravado no coração: Joaninha!
Joaninha, a feliz de verdade!
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