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Faltam 640 centros de aprendizagem para crianças rohingya
Texto J.B. | Foto Lusa | 17/08/2019 | 16:03
Diretora executiva da UNICEF lembra que a «mera sobrevivência não é suficiente», é preciso «educação de qualidade»
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Angústia e desânimo dominam os jovens refugiados rohingya no sudeste do Bangladesh. Através de um relatório divulgado na última sexta-feira, 16 de agosto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pede um investimento urgente em programas educativos e de desenvolvimento de capacidades nos campos de refugiados.

O relatório assinala os dois anos da chegada ao Bangladesh de cerca de 745 mil civis rohingya, que se viram obrigados a fugir da violência extrema no Myanmar. De acordo com o relatório, até ao passado mês de junho, o setor educativo levou a educação não formal até 280 mil crianças, entre os quatro e os 14 anos. A UNICEF e os seus parceiros garantiram o acesso à educação de 192 mil dessas crianças, inscritas em 2.167 centros de aprendizagem. Contudo, são mais de 25 mil as crianças que não frequentam nenhum programa educativo. A agência das Nações Unidas refere que são precisos mais 640 centros de aprendizagem.

Simultaneamente, 97 por cento dos adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos não frequentam nenhum estabelecimento educativo. Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF, salienta que para as crianças e jovens rohingya a viver no Bangladesh, a «mera sobrevivência não é suficiente». A responsável destaca que é «absolutamente essencial que elas recebam educação de qualidade e o desenvolvimento das aptições que precisam para garantir o seu futuro a longo prazo».

A UNICEF e outras agências das Nações Unidas pedem aos governos do Myanmar e do Bangladesh que possibilitem o uso de recursos educativos nacionais, como currículos, manuais e métodos de avaliação, de forma a proporcionar uma aprendizagem mais estruturada às crianças rohingya.

«Fornecer materiais de aprendizagem é uma tarefa enorme e só pode ser realizada com o apoio total de uma série de parceiros (…). As esperanças de uma geração de crianças e adolescentes estão em jogo» e não se pode «fracassar», alerta Henrietta Fore, citada pelos serviços de comunicação das Nações Unidas.

Segundo o relatório da UNICEF, sem possibilidades de aprendizagem, os adolescentes podem tornar-se vítimas de traficantes, enfrentar assédios e abusos. A agência da ONU dedicada às crianças tem apoiado o desenvolvimento de centros de juventude e clubes para adolescentes, que levam até aos mais novos apoio psicossocial, alfabetização, matemática básica e competências vocacionais. Quase 70 destes espaços estavam em funcionamento no passado mês de julho. No entanto, «são necessários muitos outros».

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