Em várias zonas do Quénia, especialmente nas grandes cidades, os confrontos étnicos já causaram a morte de mais de três centenas de pessoas. E a luta continua
Em várias zonas do Quénia, especialmente nas grandes cidades, os confrontos étnicos já causaram a morte de mais de três centenas de pessoas. E a luta continuaQuando à noitinha do dia 27 de Dezembro se concluíam sem incidente as eleições presidenciais e legislativas no Quénia toda a gente respirou de alívio. Quase nove milhões de eleitores tinham manifestado a sua escolha livre e ordeiramente.
No dia seguinte os resultados começaram a aparecer e a certo ponto o candidato da oposição, Raila Odinga, tinha três milhões de votos contra dois milhões do incumbente Mwai Kibaki. Já se cantava vitória e até mesmo os apoiantes de Kibaki se resignavam perante a evidência.
Poucos notaram que os resultados que estavam sendo anunciados eram quase todos do Oeste e Sul do país, zonas onde a oposição está bem implantada.
Mas por que razão não eram os resultados da zona de Nairobi e do centro e norte do país tornados públicos? Onde estavam de facto esses resultados? Houve quem começasse a duvidar que algo de sinistro estava sendo tramado. De facto quando os votos dessas zonas começaram a ser contabilizados Mwai Kibaki foi diminuindo a distância e acabou por bater o seu rival por bem duzentos mil votos.
a oposição não se resignou e aponta alguns factos incontestáveis, como seja a lentidão da zona Kibaki em apresentar os resultados dando a impressão de os ter manipulado em seu favor. Em muitos lugares o número de votos expressos é muito superior à média nacional e é difícil provar que o atraso não tenha sido organizado de maneira a poder apresentar resultados de conveniência para a vitória do presidente.
Uma contagem de votos tão mal organizada e digamos mesmo descontrolada levou à desordem civil com os resultados que estão à vista.
Os Bispos católicos escreveram hoje, 2 de Janeiro, uma mensagem, apelando à calma e ao entendimento. Insistem que se dê ao diálogo uma oportunidade, mas parece que os ouvidos dos grandes estão tapados.
Na altura da votação eu encontrava-me na cidade costeira de Mombasa donde só podia sair no dia 30. No dia 29 já começavam os distúrbios e já não consegui gasolina, tendo no dia seguinte partido às quatro da manhã, uma viagem de seiscentos quilómetros, na esperança de encontrar gasolina pelo caminho o que consegui numa estação que estando junto a um posto da polícia ainda não tinha cedido ao temor geral e se mantinha aberta. Hoje dia 2 de Janeiro regressei a Nairobi. a estrada está livre porque são poucos os que se aventuram a viajar e a gasolina escasseia.
Para amanhã a oposição promete grandes manifestações que poderão incendiar os ânimos ainda mais. apesar da mensagem dos bispos católicos, hoje divulgada, apelando ao diálogo e à mediação, as esperanças de entendimento são escassas. as próximas horas e os próximos dias dirão se o Quénia escolheu a guerra depois de tantos anos de paz. Uma divisão do país seguindo linhas étnicas seria uma enorme desgraça.

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