A peregrinação aniversária de agosto ao Santuário de Fátima teve início na noite desta quinta-feira, 12 de agosto. O presidente das celebrações, Jean-Claude Hollerich, arcebispo em Luxemburgo, lembrou nesta noite a “dureza de um mundo” onde os seres humanos são “considerados como estrangeiros”, recordou aqueles que têm familiares doentes em locais distantes e em que a presença não se torna possível, assim como as situações em que a doença “bate à porta”.

O cardeal luxemburguês afirmou depois que o carácter de Maria, mãe de Cristo, “é semelhante ao carácter de muitas mulheres portuguesas, cabo-verdianas e brasileiras” que conhece no Luxemburgo, uma vez que todas elas se tratam de “mulheres fortes”, que “mantêm a sua família unida”, que procuram “assegurar um futuro para os seus filhos”, que à noite, cansadas, ainda se ocupam da “casa e cozinham alimentos que alegram a alma e o corpo da sua família”.

No entanto, por vezes, todas estas mulheres, à semelhança da Mãe de Cristo, também “têm o coração amargurado e triste, mas não o mostram para não espalharem desolação e preocupação”, uma vez que “querem garantir a união”, desejando caminhar “rumo a um ‘nós’ cada vez maior”, conforme afirma o próprio Papa Francisco, numa mensagem destinada ao Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que será assinalado no próximo dia 26 de setembro. Para o arcebispo de Luxemburgo, é na fé cristã que estas mulheres “encontram a sua força e a sua alegria”. “De facto, elas nos mostram o que é ser cristão”, disse o prelado, agradecendo às peregrinas de Fátima pelo seu “magnífico testemunho”.

Jean-Claude Hollerich afirmou que os cristãos não são “passivos neste mundo”, e que devem assumir um “compromisso para com a ecologia, o compromisso por um mundo mais justo, por um mundo mais fraterno, em vista de ‘um nós cada vez maior’”. Para o religioso, os “grandes compromissos serão válidos se mostrarem os seus frutos de paz, justiça e defesa do bem-comum, na vida concreta do dia-a-dia”.

O cardeal frisou que o “mundo precisa de mais de amor, o mundo tem sede de amor, paz e justiça”. “Não sejamos apenas daqueles que consomem a água que Deus nos oferece para uso próprio. Procuremos ajudar Deus, para que a nossa vida sirva para partilhar esta água com os outros, os que têm fome e sede de justiça”, referiu o prelado. A peregrinação dos emigrantes prossegue esta sexta-feira, 13 de agosto.

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