Foto: Santuário de Fátima

Jovens de diversos pontos do país, com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos, deslocam-se este verão a Fátima, para participarem no Projeto Sete, que decorre neste mês de agosto. O primeiro dos dois turnos reuniu jovens de vários pontos do país, como Lisboa, Torres Vedras, Porto, Castanheira de Pera, Castelo Branco e Figueira da Foz. A acompanhar o grupo de voluntários está Rute Santos, do Departamento de Acolhimento e Pastoral do Santuário de Fátima. Em declarações à FÁTIMA MISSIONÁRIA, a responsável explicou que nesta iniciativa os jovens envolvidos acabam por se sentirem “livres no sentido em que falam a mesma linguagem” pelo que a “questão de Deus é muito fácil”.

“Na dinâmica de apresentação, apesar de não se conhecerem uns aos outros, acabam por partilhar coisas muito profundas que tem muito a ver com estas questões da fé”, destacou a responsável, sublinhando que é uma mais-valia “perceber que o santuário pode proporcionar esta experiência que é marcante” para os mais novos. Rute Santos explica que uma iniciativa como esta é uma oportunidade para os jovens se “sentirem úteis”, algo que os mais novos “procuram muito”.

Além das ações concretas de apoio e acolhimento aos peregrinos, o Projeto Sete fornece “também um sentido para este próprio voluntariado”, que diz respeito ao “dar-se” ao outro. A responsável que acompanha o Projeto Sete há vários anos, realça que no final de cada turno os jovens afirmam que aquela foi uma semana de “riqueza”, de amizades, e onde se encontram respostas para questões mais inquietantes colocadas pela vida. “Muitos deles veem à procura também de algumas respostas e saem daqui com a certeza de que há muito mais jovens a falar esta linguagem e a viver da mesma forma do que eles”, refere a responsável.

Uma ponte para a humanização dos cuidados de saúde

Entre os jovens que integraram o primeiro turno do Projeto Sete esteve Daniel Santos, de 20 anos, natural da Figueira da Foz. O jovem é detentor do Curso Profissional de Auxiliar de Saúde e trabalha há um ano e meio no serviço de urgência do hospital da Figueira da Foz. “O Projeto Sete traz-me uma espiritualidade, um acompanhamento, porque algumas das pessoas que estão aqui têm vidas diferentes, traumáticas, e quando partilhamos, quando rimos ou rezamos em conjunto acabamos por ficar enriquecidos por nos conhecermos, por estarmos juntos, e posso dizer que faço aqui alguns amigos”, destaca o jovem.

Daniel considera que “é uma alegria” estar envolvido nestas atividades de voluntariado, que mostram todo o “trabalho por trás” de peregrinações ou retiros, por exemplo. “Acho que começamos a dar cada vez mais valor ao trabalho dos outros. Saímos daqui com uma experiência grande, muito vasta e enriquecedora”, refere, adiantando que o Projeto Sete o faz “sentir mais atento às necessidades do próximo, às pequenas coisas”.

O jovem acredita que esta iniciativa em Fátima tem capacidade para ter um impacto positivo na sua atividade profissional. “O Projeto Sete ajuda-me a compreender melhor tanto a pessoa em si, como toda a equipa com quem eu trabalho. Na minha profissão eu dou tudo de mim, tudo o que eu posso, e às vezes tento dar o que não posso para que aquela pessoa tenha um tratamento mais humanizado, com mais calma”, conta Daniel, explicando que o auxiliar de saúde tem a missão de prestar “apoio na alimentação e higienização do doente e dos espaços”.

“Agora que estou na unidade da covid-19 faz-se um atendimento diferente. As pessoas chegam com necessidades, com solidão. As pessoas quando entram no hospital, muitas vezes não sabem se vão ficar. Perguntam muito se vão ficar internadas… Às vezes as pessoas chegam tão bem aparentemente, mas por dentro, quando os médicos e enfermeiros veem os exames, são coisas graves e as pessoas têm de ficar internadas, e esse ficar internado, depois é um desgosto muito grande e acabam por se sentir sozinhos. O simples facto de depois darmos uma palavra amiga, em ligarmos o computador ou a televisão, mostrando a Eucaristia transmitida através do Santuário de Fátima é um carinho especial para aquelas pessoas.”

“Nós damos saúde, amor e aquelas palavras que os doentes necessitam quando estão mais tristes”, menciona Daniel. “Acho que as pessoas devem, acima de tudo, dar aquilo que têm, porque muitas pessoas têm muitos dons escondidos, e devemos dar aquilo que temos, sem medo, sem termos represálias. Devemos, acima de tudo, dar e amar. São as duas palavras-chave – dar e amar”, aponta o jovem.

A felicidade de ser útil

Entre os voluntários do primeiro turno do Projeto Sete esteve também Anita Santos, de 19 anos, do Alentejo. A jovem encontra-se a frequentar a licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Lisboa. O seu objetivo é vir a ser professora de Inglês, algo que descobriu quando se tornou catequista. “Quando comecei a dar catequese apercebi-me que gosto mesmo de explicar, de estar próxima das crianças, das famílias e apercebi-me que tinha vocação para professora justamente por causa disso”. Para a jovem, vir a dedicar-se ao ensino será também uma forma de retribuição. “É sentir que dou de volta aquilo que me foi dado porque também tive bons professores e sinto mesmo que quero retribuir e ser boa professora como eles foram.”

Para a jovem, a participação no Projeto Sete está a revelou-se bastante valiosa. “Foi espetacular sentir-me útil assim para alguém que vem a Fátima de propósito. Sentir que estou a ajudar de alguma forma. Senti-me mesmo bem”, disse a voluntária, adiantando que está é uma ocasião para ver o santuário de um ângulo não visto habitualmente, tendo uma noção daquilo que é “preparar tudo para os peregrinos”. “Às vezes vimos cá e não temos noção do quanto custa preparar tudo. Estou a gostar muito também do companheirismo, da oportunidade de conhecer mais pessoas jovens, e da proximidade com o santuário, que é algo que nem toda a gente tem a oportunidade de viver. O facto de podermos estar cá uma semana a trabalhar para Nossa Senhora é algo especial e único porque penso que não é qualquer pessoa que tem a oportunidade de participar nesta atividade.” Para a jovem do Alentejo esta foi uma “experiência muito reveladora porque combina tanto a parte prática, do voluntariado, como a parte interior” onde admite que tem “aprendido muita coisa que, certamente”, levará para a vida. O segundo turno do Projeto Sete arranca esta terça-feira, 10 de agosto, reunindo um novo grupo e jovens numa experiência de “imersão de voluntariado”, conforme indicam os responsáveis pelo projeto. A iniciativa decorre sob medidas de segurança, de forma a diminuir o risco de contágio por covid-19.

Texto: Juliana Batista

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