Numa conversa com dezenas de jovens lisboetas para tentar perceber o que sabem sobre a África do Sul recebi diversas respostas. Identificaram a África do Sul como a maior potência económica de África, a terra de Nelson Mandela, recordaram o regime de segregação racial apartheid, destacaram um país de grande diversidade cultural, o Mundial de Futebol de 2010 e o ritmo musical sul-africano. Os jovens amantes da natureza e dos safaris mencionaram o Parque Nacional Kruger e paisagens interessantes. Outros não deixaram passar a variante do coronavírus da África do Sul, detetada em muitos países, incluindo Portugal.

Breve história da África do Sul
Os primeiros navegadores europeus, sobretudo os portugueses, chegaram às costas da África do Sul no século XV. Os europeus – holandeses, alemães e franceses – só ocuparam o território africano no século XVII.

No final da primeira metade do século XX começou a segregação racial e a discriminação política e económica dos negros na África do Sul. O apartheid garantiu o domínio da minoria branca sobre os negros por mais de 40 anos. O fim do apartheid foi marcado pelas eleições populares de 1994, onde foi eleito o presidente Nelson Mandela, que ganhou pelo partido Congresso Nacional Africano (CNA). Ele teve uma difícil tarefa na reconciliação do país. “Ninguém nasce a odiar o outro pela cor da sua pele, pela sua origem ou religião. Para odiar, as pessoas precisam de aprender e, se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”, escreveu Nelson Mandela no seu livro “Um longo caminho para a liberdade”.

Mandela foi sucedido por Thabo Mbeki, e em 2009 os sul-africanos elegeram Jacob Zuma, que depois foi obrigado a deixar o cargo em 2018, por causa da corrupção. Zuma foi substituído pelo atual presidente, Cyril Ramaphosa.

Nelson Mandela nasceu a 18 de julho de 1918. Recebeu o Prémio Nobel da Paz, em dezembro de 1993, pela sua luta contra o regime de segregação racial, e faleceu a 5 de dezembro de 2013.

A Consolata na África do Sul
Os missionários da Consolata celebram este ano 50 anos de missão neste país, situado no extremo sul do continente africano. Comemoram um trabalho marcado pela criação e consolidação das comunidades, visitas às famílias e a formação dos líderes locais. O Instituto Missionário da Consolata (IMC) deu início a um novo caminho, com novos estilos de evangelização na África do Sul, a 10 de março de 1971. Foram os anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, uma época de grandes mudanças na Igreja e na sociedade, e depois da celebração do Capítulo Geral da Consolata de 1969.

Os primeiros missionários da Consolata
na África do Sul – Giovanni Viscardi e Giovanni Berté – arrancaram com o grande empenho de estar em maior
contacto com as pessoas, e descobrir novos caminhos de missão para favorecer o diálogo entre a fé e as
culturas sul-africanas. Poucos meses depois do início da aventura sul-africana dos missionários da Consolata, o padre Mario Bianchi, superior geral da congregação, escreveu, a 9 de novembro de 1971, uma carta circular ao IMC, dizendo: “Há um progresso importante no instituto, não em número, mas em qualidade; isto é, das novas situações em que o instituto se encontra e que deve enfrentar: a inserção em novos campos de missão e, portanto, na relação com diferentes povos, culturas e religiões”.

Os missionários iniciaram a sua missão na cidade sul-africana de Piet Retief, atual diocese de Dundee, e depois abriram outras missões, desenvolvendo várias atividades pastorais e tornando-se pontes entre as famílias dos migrantes moçambicanos e trabalhadores das minas. Abriu-se o Seminário Internacional de Merrivale, em 2008, para a formação dos missionários. Outro momento significativo foi a abertura de outra missão, no Reino de Essuatíni, na Suazilândia, em 2016. Hoje a missão na África de Sul conta com a presença de 28 missionários.

Situação socioeconómica
A economia da África do Sul é a maior do continente africano. A base económica do país está concentrada no setor primário, particularmente na exploração mineral e na agricultura. A África do Sul explora grandes quantidades de ouro e diamantes, sendo um dos principais produtores mundiais. No setor dos recursos minerais destacam-se ainda a exploração de ferro e manganés, carvão, urânio, gás natural, platina e outros metais, como crómio e titânio. Mandela fez grandes sacrifícios para mudar a economia da África do Sul, mas ainda há uma profunda desigualdade social.

A África de Sul é um lugar de atração para muitos migrantes, especialmente de países vizinhos, muitos procurando trabalho nas minas, nas indústrias sul-africanas e no setor agrícola. A presença cada vez mais visível de estrangeiros africanos na África do Sul tem provocado muitas reações negativas por parte da população local, que considera os imigrantes como uma concorrência em relação aos escassos empregos e oportunidades existentes no país.

Covid-19 na África do Sul
A África do Sul é o país mais afetado pelo coronavírus no continente africano. Desde o início da pandemia, até meados de junho de 2021, foram registadas 1.774.312 infeções e 58.223 mortes relacionadas com o coronavírus, segundo as autoridades de saúde sul-africanas. Ainda há muita preocupação por causa das novas variantes e com a época do inverno no país. A África do Sul está atrasada em termos de vacinação, tendo vacinado pouco mais de um por cento da sua população, mas o objetivo é vacinar cerca de 40 milhões de pessoas até ao final do ano.

Atualmente a África do Sul tem grande potencialidade económica, mas ainda apresenta uma enorme desigualdade social. Todavia, como escreveu Mandela na autobiografia “Um longo caminho para a liberdade”, a “grandeza da vida não consiste em não cair nunca, mas em levantarmo-nos cada vez que caímos”.

Texto: Bernard Obiero

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