Quase um ano e meio depois da chegada da covid-19 ao Brasil, o cenário pandémico “permanece extremamente preocupante”, referem os Médicos Sem Fronteiras (MSF), em comunicado, recordando que o país “superou a marca de 500 mil mortes” devido a esta doença.

Perante uma situação dramática, os profissionais da organização humanitária procuram “novas maneiras de apoiar comunidades vulneráveis em áreas mais desfavorecidas do Brasil”, nomeadamente nas “localidades das regiões Norte e Nordeste, onde historicamente há mais dificuldade de acesso a cuidados de saúde”.

Segundo Juan Carlos Arteaga, coordenador de projeto dos MSF em Portel, o objetivo da organização “é chegar aos mais vulneráveis” e fornecer-lhes “cuidados de saúde”, assim como “reforçar o sistema de saúde local”. “Queremos que médicos e enfermeiros da localidade estejam o mais bem preparados possível para um aumento dos pacientes com covid-19”, referiu o responsável.

Além da existência de equipas móveis que “têm oferecido atendimentos perto das residências dos pacientes”, são realizados “diariamente testes rápidos de antígeno para a deteção da covid-19, visitas domiciliares a pacientes com comorbidades, serviços de saúde mental e apoio ao programa local de registo para a vacinação, além de atividades de promoção de saúde”, refere a organização humanitária.

Fabio Biolchini, coordenador de emergência dos MSF no Brasil, explica os propósitos da organização face ao cenário no país.  “Queremos empoderar os sistemas de saúde locais para que possam oferecer aos pacientes o tratamento de melhor qualidade possível (…) Estamos a dar apoio às autoridades locais para que sejam transmitidas mensagens precisas de promoção de saúde às comunidades, usando a ciência para explicar como cuidar da saúde de cada um da melhor maneira possível e evitar o grande volume de desinformação que circula na comunidade.”

Antonio Flores, infeciologista dos MSF, alerta para a falta de uma resposta coordenada e centralizada no país, o que coloca em causa os esforços para combater a doença.  “Esta falta de coordenação e de ação estratégica das autoridades reflete-se na ausência de um controlo sustentado da epidemia. O vírus tem circulado sempre de maneira livre pelo Brasil”, lamentou o responsável.

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