Numa mensagem dedicada à 42ª sessão da Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que se encontra a decorrer em Roma, Itália, até à próxima sexta-feira, 18 de junho, o Papa Francisco pede à comunidade internacional para “alcançar a autonomia alimentar, tanto através de novos modelos de desenvolvimento e consumo, quanto através de formas de organização comunitária que preservem os ecossistemas locais e a biodiversidade”. O Papa Francisco defende que uma das respostas a dar à crise provocada pelas medidas de contenção da Covid-19 deve ser a promoção de “uma agricultura sustentável e diversificada” que tenha em consideração “o papel precioso da agricultura familiar e das comunidades rurais”.

O Santo Padre refere que são “exatamente aqueles que produzem alimentos que sofrem com a falta ou escassez” dos mesmos, destacando que “três quartos dos pobres do mundo” dependem sobretudo da agricultura, mas encontram-se distantes “dos mercados, da propriedade da terra, dos recursos financeiros, das infraestruturas e das tecnologias”. Falando aos participantes do evento que se encontra a decorrer na capital italiana, o Sumo Pontífice refere que a quantidade de pessoas “em risco de insegurança alimentar aguda” atingiu o seu máximo no último ano, e que tal cenário “pode piorar no futuro para milhões” de cidadãos.

O Papa Francisco apela a uma economia mais humana, “ancorada no bem comum, amiga da ética e respeitadora do meio ambiente”. “O desenvolvimento de uma economia circular, que garanta recursos para todos, incluindo as gerações futuras, e promova o uso de energias renováveis é vantajoso”, propõe o Santo Padre, apelando também a um sistema alimentar global “capaz de resistir a crises futuras”. Francisco afirma esperar que os efeitos da Covid-19 contribuam para ajudar a humanidade a tirar lições para o futuro. “Aproveitemos esta provação como uma ocasião para preparar o amanhã para todos, sem descartar ninguém”, escreve Francisco.

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