Desde o início do ano que a situação humanitária em Moçambique se deteriora de forma significativa. Atualmente existem quase 700 mil deslocados. Entre eles, 46 por cento são crianças, de acordo com Mohamed Malick Fall, diretor regional do UNICEF para a África Oriental e Austral, que se encontra de visita ao país até este domingo, 13 de junho.

De acordo com o responsável, até ao momento, o UNICEF identificou 1.970 crianças desacompanhadas. Mohamed Fall explica que na sequência do ataque em Palma, no final de março, muitas crianças viram-se separadas das suas famílias, e todos os dias perguntam pelos pais, sem qualquer resposta, algo que “é de partir o coração”, lamentou o responsável, em declarações aos serviços de comunicação das Nações Unidas.

O diretor regional do UNICEF para a África Oriental e Austral afirma estar também preocupado com a subnutrição. O responsável esteve de visita a um centro apoiado pelo UNICEF, onde contactou com uma criança que, há apenas seis dias, “estava à beira da morte por falta de comida”, e que atualmente se encontra em recuperação.

Com a deslocação das populações devido aos ataques, Mohamed Fall refere que muitas pessoas seropositivas deixaram de receber tratamento, o que aumenta os riscos associados à doença. Outras das preocupações prendem-se com o acesso à água, ao saneamento e ao sistema escolar que ficou ainda mais débil devido ao fluxo de refugiados. Mohamed Fall alerta para a importância de resolver estes problemas e lembra que estas crises se “podem espalhar rapidamente, atingindo um nível regional e uma dimensão internacional”. Para o responsável, “este é o momento de atuar”.

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