Diamantino Antunes, Missionário da Consolata e bispo de Tete, em Moçambique, deu o seu testemunho em mais uma sessão da iniciativa “Chá com arte”, promovida pelo Consolata Museu, em Fátima, em formato digital, devido à atual pandemia. Ao longo da conversa, o bispo de Tete abordou um conjunto diverso de assuntos, entre os quais se destacou o conflito na província moçambicana de Cabo Delgado, que envolve um conjunto muito diverso de circunstâncias.

O prelado lembrou que o “conflito de Cabo Delgado não começou de um momento para o outro”, e que “já remonta a 2017”, com “ataques a aldeias esporádicos”. Com a existência de “juventude numa zona pobre, que não tem beneficiado de melhorias significativas do ponto de vista económico, social, educativo e no campo sanitário, há uma certa revolta, no sentido de frustração dos jovens”, que tem levado “alguns jovens a entrar nas fileiras” de “insurgentes”. Nós últimos tempos, a “insurgência foi ganhando mais força, mais projeção”, lamentou o prelado.

De acordo com o bispo de Tete, a guerra “está-se a manifestar muito violenta e está a colocar o país numa crise muito grande”. A essa crise, outras se juntam, e todas elas “têm abalado Moçambique nestes últimos anos”. Uma dessas crises diz respeito às “calamidades naturais, como foram os ciclones Idai e Kenneth, em 2019”.

A outra das crises está relacionada com a pandemia da Covid-19, com a qual Moçambique sofre desde março do último ano, à semelhança dos restantes países do mundo. “Portanto, conjugaram-se vários fatores negativos que levaram à recessão económica do país, e, sem dúvida, a um ambiente de mau estar”, lamenta o bispo de Tete, adiantando que não existem dúvidas sobre a situação que assume maior gravidade.

“Sem dúvida que a situação mais grave é a da guerra. Nós conhecemos as causas e sabemos também como encontrar as soluções para as calamidades naturais e a pandemia, mas esta é uma guerra diferente, sem rosto, e sem conhecermos verdadeiramente quem são aqueles que mobilizam, que sopram nas brasas para incendiar aquela região do norte de Moçambique”, lamentou Diamantino Antunes.

As declarações do bispo de Tete foram proferidas na última quinta-feira, 13 de maio, em Fátima, no decorrer de mais uma sessão da iniciativa “Chá com arte”, promovida pelo Consolata Museu | Arte e Sacra e Etnologia. Diamantino Antunes esteve à conversa com Gonçalo Cardoso, diretor do museu dos Missionários da Consolata. A tertúlia pode ser vista na totalidade a partir da página do Consolata Museu na rede social facebook.

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