Com o objetivo de apoiar os deslocados de Cabo Delgado, em Moçambique, a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) decidiu conceder um apoio de emergência, no valor de 80 mil euros, à Helpo, uma organização não governamental para o desenvolvimento (ONGD) portuguesa, presente em Cabo Delgado há mais de 10 anos e que se dedica a apoiar os refugiados desde 2019.

A quantia será utilizada, sobretudo, para “garantir alimentos a um milhar de famílias com grávidas e crianças até aos cinco anos, durante nove meses, e também a apoiar a integração escolar das crianças e jovens”, explicam os serviços de comunicação da Gulbenkian, adiantando que a Helpo já é parceira da fundação, através de um projeto de desenvolvimento em São Tomé e Príncipe. A FCG recorda também que nos últimos tempos, a Helpo se tem “destacado, em Moçambique, no apoio às comunidades próximas da cidade de Pemba como Silva Macua, Mahera, Impere e Miéze”.

A Gulbenkian lembra que a “violência armada” tem assolado a província de Cabo Delgado desde 2019, tendo gerado uma “crescente crise humanitária que já provocou centenas de mortos e cerca de 700 mil deslocados”. “Os recentes ataques a Palma vieram agravar a situação e elevar o número de deslocados, que se vão concentrando nos arredores de Pemba em condições muito precárias”, refere a FCG, adiantando que as agências humanitárias presentes em Cabo Delgado “carecem de meios para enfrentar uma tragédia humanitária que vai adquirindo contornos cada vez mais preocupantes”.

Nesta linha, o apoio de emergência concedido pela Gulbenkian revela-se essencial, perante as dificuldades e o sofrimento em que àquela população se encontra. Através deste apoio, a Fundação Gulbenkian pretende ainda “incentivar outras instituições a ajudar uma população que vive um momento dramático, com reduzidos apoios e uma escassa intervenção humanitária”.

Texto: Juliana Batista

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