O nível de aquecimento dos oceanos atingiu níveis recorde e o “pior está para vir”, já que até 2100 os mares poderão absorver muito mais calor do que o já absorvido durante os últimos 50 anos, alertou esta semana a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Nas últimas quatro décadas, o oceano absorveu 20 a 30 por cento das emissões de dióxido de carbono, o que causou uma redução no oxigénio que afeta a biologia marinha, também ela atingida pelo aquecimento do ambiente aquático.

E mesmo que o aquecimento global seja contido a apenas mais dois graus, os mares irão absorver entre duas a quatro vezes mais calor do que no último meio século, embora se esse limite for ultrapassado o poder de absorção poderá chegar a até sete vezes mais, sublinhou a OMM.

“As repercussões disto vão durar anos: o oceano tem uma memória muito longa, até mais do que a atmosfera”, destacou a porta-voz da organização, Clare Nullis, acrescentando que o nível do mar subiu 15 centímetros no século XX e continuará a subir devido ao degelo dos glaciares, que vai afetar 40 por cento da população mundial que vive num raio de 100 quilómetros da costa.

A responsável expressou ainda a sua preocupação com as consequências que o degelo pode ter no tráfego marítimo nas águas do Ártico, salientando que “menos gelo não significa menos perigo”, pedindo aos governos que tomem medidas de forma a reduzir estas tendências.

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