Os protestos pacíficos dos jovens em Myanmar, iniciados após o golpe militar de 1 de fevereiro, não dão sinais de abrandamento e a resposta do exército às manifestações tem-se tornado cada vez mais violenta. Conscientes da gravidade da situação, os líderes das várias comunidades religiosas reiteram o seu apoio espiritual e material aos manifestantes.

“Estamos a assistir a uma verdadeira escalada de violência militar. Só em Yangon e arredores contámos 189 mortos. Mas, para nós, o número de vítimas mortais poderá ser muito maior. A repressão é cada vez mais dura e a população está a sofrer, mas não se rende”, declarou à agência Fides uma fonte da comunidade católica, que pediu o anonimato por questões de segurança.

Numa mensagem enviada à Fides, a Comissão de Monges Budistas de Mandalay denunciou que os militares estão a ocupar templos, mosteiros e locais de oração budistas, e apelou ao fim imediato da violência militar contra a população. Se os ataques e ocupações continuarem, os monges dizem estar prontos para desfilar pelas ruas e organizar marchas de protesto silenciosas em todo o país.

Entretanto, o regime militar de Myanmar implementou uma medida oficial contra as organizações não governamentais (ONG) internacionais e locais através de instrumentos e canais financeiros: o Banco Central deu ordem aos bancos privados que apresentem todas as contas bancárias das ONG.

Ao que tudo indica, os militares no poder pretendem intimidar as organizações suspeitas de disponibilizar apoio financeiro ao Movimento de Desobediência Civil ou oferecer apoio político e económico a partidos como a Liga Nacional para a Democracia ou a organizações sociais e políticas que não apoiam a Junta Militar.

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