O grupo de visitadores voluntários da Santa Casa da Misericórdia de Oeiras encontra-se com a sua atuação limitada no estabelecimento prisional de Caxias, devido à atual pandemia. No entanto, perante os constrangimentos, o grupo de cidadãos decidiu fazer-se presente através da palavra escrita e de gestos solidários.

“A nossa atividade está muito restrita e limitada, mas mantém-se a troca de correspondência, através de um apartado, criado há mais de dez anos, que nos permite acompanhar as pessoas que queiram recorrer a nós para conversar ou para algum pedido. Continuamos disponíveis”, disse Helena Mendes, coordenadora do grupo de visitadores, citada pelos serviços de comunicação da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

Apesar das visitas terem sido suspensas em março de 2020, “devido ao estado de saúde frágil dos reclusos-doentes”, a ligação afetiva não fez uma pausa, assegura a UMP. Segundo Helena Mendes, nas cartas que chegam do Hospital Prisional de Caxias há relatos de “isolamento e dificuldade de contactar a família, no fundo aquilo que sentimos cá fora, mas de forma extrema porque estas pessoas não estão confinadas como nós. E isto é muito agressivo para a saúde mental de qualquer ser humano”. Neste contexto, a profissional sugere apoio psicológico para estes reclusos.

As novas rotinas não têm impedido o grupo de visitadores da Misericórdia de Oeiras de transmitir afetos. Em dezembro, fizeram chegar quase 140 cabazes aos reclusos, com diversos bens, e foram diversas as mensagens de gratidão que receberam. Nos restantes meses do ano, o grupo de visitadores fez chegar aos reclusos vestuário e material para escrever. O objetivo de cada ação é transmitir esperança, fomentar a reabilitação e reinserção social e atenuar a exclusão.

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