Foto: EPA / Simela Pantzartzi

Após um ano de pandemia, todos os indicadores que medem o desenvolvimento infantil e adolescente recuaram, o que coloca em causa o futuro de toda uma geração, alerta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), pedindo prioridade para a reabertura das escolas e a colocação das crianças “no centro dos esforços de recuperação”.

“Aumentou o número de crianças com fome, isoladas, abusadas, ansiosas, que vivem na pobreza e são forçadas a se casar. O acesso à educação, socialização e serviços essenciais, incluindo saúde, nutrição e proteção diminuiu. Os sinais de que as crianças carregarão as cicatrizes da pandemia nos próximos anos são inconfundíveis”, refere a diretora executiva do UNICEF, numa nota divulgada a propósito do primeiro aniversário da declaração da pandemia de Covid-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo Henrietta Fore, nos países em desenvolvimento, as projeções mostram um aumento de 15 por cento na pobreza infantil. Entre seis e sete milhões de crianças a mais podem sofrer de desnutrição em 2020, um aumento de 14 por cento que pode traduzir-se em mais de 10 mil mortes adicionais por mês, principalmente na África Subsaariana e no Sul da Ásia. No ensino, 168 milhões de alunos têm as escolas fechadas há quase um ano, sendo que cerca de um terço não tem acesso a educação online.

Em consequência do encerramento de escolas e agravamento da situação económica, a crise pandémica pode levar também ao casamento precoce de 10 milhões de crianças até 2030, somando-se às 100 milhões de meninas já consideradas em risco de casamento até então. Além disso, prossegue Fore, pelo menos uma em cada sete crianças ou adolescentes passou a maior parte do último ano sob ordens de confinamento, aumentando a ansiedade, a depressão e o isolamento.

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